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Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa: 75 anos de arte e espiritualidade

A igreja de Nossa Senhora de Fátima, dedicada a 13 de outubro de 1938, 21 anos após a última aparição da Virgem na Cova da Iria, é um exemplo da conjugação entre a arte e a espiritualidade cristã, considera o pároco.

«Podíamos estar a celebrar os 75 anos de uma igreja bonita, bela, mas em que a dimensão especificamente religiosa não fosse tão evidente. E aqui os dois aspetos estão harmonicamente ligados», afirmou o cónego Luís Alberto Carvalho ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O sacerdote recorda que, quando foi construída, a igreja suscitou «bastante polémica», levando à intervenção do então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), em defesa dos arquitetos, dirigidos por Porfírio Pardal Monteiro, e dos artistas, entre os quais Almada Negreiros.

«Creio que todos os arquitetos tinham uma formação religiosa, pelo menos de tradição familiar. Não eram praticantes mas também não eram completamente estranhos a este mundo religioso, e por isso talvez não tenham tido muita dificuldade em construir um templo que é, de facto, impressionante», destacou.

A este conhecimento, prosseguiu o sacerdote, juntou-se a «assessoria religiosa importante» do belga D. Martin e de monsenhor Pereira dos Reis, ligados ao Movimento Litúrgico, «que ajudaram a integrar e transmitir os aspetos mais importantes».

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«É uma igreja que convida a rezar. Nota-se a conceção litúrgia e teológica do ano em que é construída mas vê-se claramente que entramos num espaço de oração e que convida à interioridade religiosa», acentuou o cónego Luís Alberto.

A «meia penumbra», a «orientação para o altar» e o «sentido da verticalidade» são alguns dos detalhes salientados pelo responsável, que nem sempre consegue explicar o ambiente favorável à oração que encontra na igreja: «Há muitas coisas em que nos sentimos bem mas não sabemos identificar o porquê».

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«Está tudo muito bem pensado e com pormenores litúrgicos avançados para a época», como o batistério, «ligado à igreja mas com um acesso que pode não ser pelo corpo principal.

O espaço onde se celebra o sacramento do batismo está também situado numa cota inferior, com todo o simbolismo religioso dessa opção», assinalou.

«É preciso estar muito dentro do espírito do que significa a liturgia para realizar uma obra como esta», apontou.

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Os vitrais, de Almada Negreiros, «são de uma beleza extraordinária», traduzindo «muito bem» o pensamento cristão e «a beleza própria de Deus».

«Temos aqui um vitral que o Almada considerava a melhor obra dele, na capela da Senhora da Piedade, que estava para ser a casa mortuária mas que não funciona como tal».

Além da imagem da descida da cruz, com Cristo nos braços de Maria, o cónego Luís Alberto realça os anjos cantores nos vitrais do altar-mor, que «exprimem a ideia da festa, da Igreja celeste: quando passamos do coro para o presbitério, é como se passássemos para o mundo de Deus».

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FotoCapela de Nossa Senhora da Piedade

 

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FotoBatistério

 

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FotoCónego Luís Alberto Carvalho

 

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura agradece ao cónego Luís Alberto Carvalho as facilidades concedidas para a realização da reportagem fotográfica.

 

Texto e fotografias: Rui Jorge Martins
© SNPC | 20.05.13

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