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Igrejas de Lisboa voltam a receber concertos de Natal com entrada livre

Imagem © EGEAC

Igrejas de Lisboa voltam a receber concertos de Natal com entrada livre

«Se a música é uma constante na espiritualidade ao longo dos tempos, se é através dela que o homem procura a transcendência e estabelece pontes com o sagrado, talvez isso explique o facto de a primeira música de Natal datar do século IV.»

É com estas palavras que começa o texto de apresentação dos concertos de entrada gratuita em igrejas, que o Município de Lisboa apresenta de 5 a 19 de dezembro para assinalar o Natal, iniciativa resultante da «longa e frutuosa colaboração com o Patriarcado».

«Percorrendo a narrativa da música ocidental, verificamos que foi precisamente a temática do Natal que inspirou grande parte da produção musical ao longo dos séculos – seja ela mais ou menos formal, de natureza popular ou de essência lírica, mas com uma constante: esta ideia de júbilo, de revelação e de festa», assinala o texto, enviado hoje ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A Câmara Municipal oferece o «legado eclético» da música sacra, composto por uma «matriz multicultural europeia» presente no programa, ao mesmo tempo que abre as portas ao «excecional património» das igrejas da cidade.

«Se num dia podemos mergulhar num repertório clássico, imaginando-nos num sofisticado Natal vienense, noutro poderemos viver a exuberância do período barroco em Portugal. Ou, noutro momento ainda, trautear cânticos romenos de Natal, que resultam do entrosamento no mesmo território de diferentes confissões religiosas, etnias e línguas».

Mais de 400 músicos vão interpretar, em sete igrejas, um «repertório musical vasto e variado, essencialmente sacro, de inspiração religiosa», passando pelas «canções tradicionais de Natal até aos grandes mestres como Mozart, Bach e Vivaldi».

O "Natal em Lisboa 2015" inicia-se este sábado, dia 5, com "O Coro do Tejo", na igreja de Nossa Senhora Auxiliadora (Salesianos), que se estreia no programa, com música sacra para coro e órgão.

Felix Mendelssohn (1809-1847), Javier Busto (1949), Gabriel Fauré (1845-1924), Estevão Lopes Morago (1570-1628) e Edward Elgar (1857-1934) são os compositores que abrem a iniciativa.

No dia 6, em parceria com o Instituto Cultural Romeno, o grupo Capela Coronensis celebra às 16h00 o Dia de São Nicolau, na igreja homónima, com cânticos romenos e clássicos natalícios.

«As várias influências e interferências multiculturais da Roménia deram origem a um acervo musical rico que reflete a música de diferentes etnias e confissões, com textos de Natal escritos em várias línguas: romeno, húngaro ou alemão», explica o texto de síntese.

A Orquestra de Câmara Portuguesa apresenta no dia 11, às 18h30, na igreja de S. Roque, um programa para orquestra de cordas com obras de Mozart (1756-1791) e Antonín Dvorak (1841-1904), com uma «reflexão mais teológica».

"Música Sacra das Vésperas do II Domingo do Advento e Villancicos de Natal" é a proposta para 12 de dezembro, às 16h00, na igreja de S. Cristóvão. O grupo "Concertos Antiquus executa parte um trecho musical manuscrito encontrado no acervo musical-litúrgico da igreja de S. Cristóvão, a que se juntam peças de Estevão Lopes Morago (1570-1628), Duarte Lobo (1565-1648), Sousa Carvalho (1745-1798) e D. Pedro de Cristo (1565-1618).

O concerto "Pela glória de Vivaldi", no dia 13, às 16h00, interpretado por "Os músicos do Tejo", inclui o «famoso "Gloria", um louvor a Deus, enérgico e espontâneo que se adequa perfeitamente à quadra natalícia e à maravilhosa igreja da Graça».

Na mesma data, o teatro São Luiz recebe uma homenagem a Mozart pela Orquestra Académica Metropolitana e o Coro da Universidade Nova de Lisboa (17h30), num programa que compreende as "Vesperae solennes de confessore, KV 339".

O cinema São Jorge acolhe no dia 17 todas as formações da Escola de Música do Conservatório Nacional, com dois concertos, às 18h00 e 21h00, nos quais « a diversidade é a tónica dominante, não só ao nível das obras musicais mas também das formações musicais participantes: quatro grupos corais, quatro grupos de câmara e cinco orquestras».

A única "Missa" composta por João Domingos Bomtempo (1771-1842) é apresentada no dia 18, às 21h30, pela Escola de Música do Conservatório Nacional, na igreja de S. Vicente de Fora.

O programa termina a 19 de dezembro, na igreja de São Domingos, com Carolina Deslandes (cantora, compositora e escritora portuguesa da nova geração), Dino D’Santiago («cantor, compositor e símbolo da juventude cabo-verdiana») e e Maria Emília Reis, «uma das maiores fadistas a surgir na atualidade, nascida em São Paulo».

A partir das 21h30, os intérpretes e os cinco músicos que os acompanham «estarão juntos a cantar o amor em diferentes formas musicais», mostrando, através de cantos de Natal e obras de autores como Louis Armstrong e Sara Tavares, «que a harmonia entre os mundos é possível, através da música».

A entrada é livre em todos os concertos, mas está sujeita à lotação de cada espaço e, em alguns casos, ao levantamento prévio de bilhete.

 

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 01.12.2015

 

 
Imagem © EGEAC
Percorrendo a narrativa da música ocidental, verificamos que foi precisamente a temática do Natal que inspirou grande parte da produção musical ao longo dos séculos – seja ela mais ou menos formal, de natureza popular ou de essência lírica, mas com uma constante: esta ideia de júbilo, de revelação e de festa
Mais de 400 músicos vão interpretar, em sete igrejas, um «repertório musical vasto e variado, essencialmente sacro, de inspiração religiosa», passando pelas «canções tradicionais de Natal até aos grandes mestres como Mozart, Bach e Vivaldi»
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