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Mineiros de Aljustrel e Santa Bárbara: Da Idade Média até hoje, uma devoção fiel

Imagem Mina, Aljustrel | © pn_photo/Fotolia

Mineiros de Aljustrel e Santa Bárbara: Da Idade Média até hoje, uma devoção fiel

A paróquia de Aljustrel, em parceria com o Sindicato dos Mineiros, o Município e outras entidades locais, organiza este sábado uma conferência sobre Santa Bárbara, padroeira dos trabalhadores das minas.

Nascida nos finais da Idade Média, a devoção a Santa Bárbara no Alentejo atingiu o auge no século XVI, ganhando novo impulso na centúria de Novecentos, com a multiplicação de explorações mineiras na região, refere uma nota enviada hoje ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

A palestra é proferida por José António Falcão, diretor do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja e especialista em arte sacra, que tem vindo a realizar um levantamento sistemático do culto de Santa Bárbara no Sul de Portugal.

O Departamento, que ganhou o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, atribuído pelo SNPC em nome da Igreja católica em Portugal, está a realizar um ciclo de conferências, intitulado “À janela de Mariana”, que visita periodicamente todos os concelhos do seu território.

Intitulada “Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, e a identidade aljustrelense”, a conferência, com acesso livre, realiza-se às 17h00, nas instalações do Sindicato Mineiro, um dia depois de a Igreja católica a evocar liturgicamente.

Há poucos dados históricos sobre Bárbara (designação que originalmente se referia às pessoas estrangeiras, não romanas), sobre quem foram construídas diversas lendas.

Uma das narrativas assinala que nasceu em Nicomedia, atual cidade turca de Izmit, no ano de 273, tendo-se distinguido pelo estudo e carácter reservado.

A lenda assinala que entre entre 286 e 287 vai para Scandriglia, hoje na província italiana de Rieti, seguindo o pai, Dioscoro, colaborador do imperador Maximiano Hercúleo. A conversão à fé cristã provocou a ira do progenitor.

A tradição cristã aponta para 4 de dezembro de 290 a decapitação de Bárbara, pelo próprio pai, que logo depois foi atingido por um relâmpago.

Santa Bárbara é particularmente invocada contra a morte imprevista (aludindo à do pai, de acordo com a lenda), os relâmpagos (daí a frase popular «só se lembram de Santa Bárbara quando troveja») e o fogo.

A sua proteção estendeu-se às pessoas expostas ao perigo de morte imediata no trabalho. É padroeira dos mineiros, bombeiros, artilheiros, operadores de fogo-de-artifício, arquitetos e moribundos. Nos navios de guerra, o depósito das munições é denominado “Santa Bárbara”.

As minas de Aljustrel e de S. Domingos constituíam, nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, os principais complexos mineiros de Portugal, refere a página da União das Freguesias de Aljustrel e Rio de Moinhos.

«Embora a exploração das minas de Aljustrel remonte a tempos imemoriais, tendo sido aproveitadas por fenícios e cartagineses, é sem dúvida, durante o período da ocupação romana, (entre os séc. I e III d.c.), sob o imperador Adriano, que a atividade mineira se intensifica», explica a mesma fonte, acrescentando que os recursos foram também explorados pelos árabes e, mais tarde, no séc. XVI.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 01.12.2015

 

 
Imagem Mina, Aljustrel | © pn_photo/Fotolia
A proteção de Santa Bárbara estendeu-se às pessoas expostas ao perigo de morte imediata no trabalho. É padroeira dos mineiros, bombeiros, artilheiros, operadores de fogo-de-artifício, arquitetos e moribundos. Nos navios de guerra, o depósito das munições é denominado “Santa Bárbara”
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