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"O meu irmão", de Afonso Reis Cabral, e "O penitente", de Teixeira de Pascoaes, em análise na "Brotéria"

Imagem Afonso Reis Cabral | D.R.

"O meu irmão", de Afonso Reis Cabral, e "O penitente", de Teixeira de Pascoaes, em análise na "Brotéria"

As obras "O meu irmão", vencedora do Prémio Leya 2014, de Afonso Reis Cabral, e "O Penitente", assinada por Teixeira de Pascoaes, são objeto de análise na mais recente edição da revista "Brotéria".

«Conseguimos abarcar, à nossa maneira limitada, a compreensão do real, em que o físico, o psicológico, o moral e o transcendente estão compenetrados. E não é fácil, como Afonso Reis Cabral consegue, dizê-lo claramente em poucas palavras», escreve o jesuíta Mário Garcia.

É numa «viagem ao mais profundo das afeições humanas que se desenrola o romance», sublinha o professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, que elenca as «inúmeras» questões colocadas pela narrativa.

«Como consegue um "deficiente" exprimir, em estado puro, as pulsões elementares que constituem a consciência de si; como lidar com as surpresas que não brotam de cálculos e razões; como conseguir despertar no outro uma correspondências compreensível aos nossos estados "normais"; como tentar alargar o âmbito de uma pedagogia do "deficiente", etc.», refere o artigo.

Para Mário Garcia, "O meu irmão" «não pretende responder a nenhuma pergunta em concreto. Inclui todas as perguntas. Dá que pensar. Ajuda a saber sofrer por amor. E o registo com que o faz é de uma grande qualidade literária. De uma alegre luminosidade humana».

J. Alves Pires, S.J., por seu lado, detém-se sobre "O Penitente", sobre Camilo Castelo Branco, num texto que começa por apresentar «uma visão panorâmica do universo que o Poeta do Marão» foi dando nos seus livros.

«Não é o Camilo historiador que está na mira de Pascoaes, ao escrever-lhe a "biografia", mas sim o Camilo "penitente", uma perspetiva que, para além de ir ao encontro de um estado de alma permanente na Literatura do Homem de Seide - verificável até pela recorrência do vocábulo e aparentados ao longo de toda a Obra - se conjuga por outro lado, à maravilha, com a visão do mundo e a humana sensibilidade do Poeta amarantino», c o escritor e professor de Literatura.

Pascoaes não oferece «"uma biografia completa e muito menos uma crítica literária"»: «"Da vida e obra de Camilo aproveitei apenas o que constitui o 'drama camiliano', profundamente humano e religioso. O que há de interessante, num escritor, é a sua atitude metafísica"».

A revista "Brotéria" de outubro começa por um «apelo à solidariedade» com os refugiados que chegam à Europa, pronunciado pela Conferência Europeia de Provinciais Jesuítas.

No artigo "Igreja - Reforma da cabeça e dos membros", Hubert Wolf, catedrático de História na Faculdade de Teologia da Universidade de Münster, na Alemanha, defende que «para sarar as 15 doenças da Cúria, o papa Francisco teria apenas que olhar para a História da Igreja: contra a avidez do poder e a frieza do funcionalismo ajudam modelos provados de decisão colegial, como o Consistório e a Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Extraordinários».

José Manuel Martins Lopes, SJ, completa o artigo "A educação: uma missão vivida com-paixão", iniciado no número anterior, com «reptos para a escola e universidades católicas» e «desafios para a educação superior católica».

O livro "O islão e o ocidente - A grande discórdia", de Jaime Nogueira Pinto, é analisada por Guilherme d'Oliveira Martins, que o considera uma «obra necessária e de grande oportunidade, que faz uma análise histórica e um enquadramento dos acontecimentos atuais com grande rigor e pormenor, que permitem uma compreensão informada do momento».

A secção "Revisitando a 'Brotéria'", com um artigo de 1937 sobre a génese da guerra civil espanhola, com uma nota de rodapé de agradecimento ao autor que inclui «votos ardentes pelo próximo e completo triunfo da causa nacionalista na pátria irmã», e as recensões completam este número da revista de "cristianismo e cultura" publicada pelos Jesuítas portugueses desde 1902.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 17.12.2015

 

 

 
Imagem Afonso Reis Cabral | D.R.
"O meu irmão" «não pretende responder a nenhuma pergunta em concreto. Inclui todas as perguntas. Dá que pensar. Ajuda a saber sofrer por amor. E o registo com que o faz é de uma grande qualidade literária. De uma alegre luminosidade humana»
Pascoaes não oferece «"uma biografia completa e muito menos uma crítica literária"»: «"Da vida e obra de Camilo aproveitei apenas o que constitui o 'drama camiliano', profundamente humano e religioso. O que há de interessante, num escritor, é a sua atitude metafísica"»
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