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Cardeal Jorge Bergoglio, papa Francisco

O pior que nos pode acontecer é optarmos pelo desalento

«Depois de passar o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro ao nascer do sol. Diziam umas às outras: "Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?" Mas, olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: "Não vos assusteis. procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui."» (Mc 16, do Evangelho da Vigília Pascal, ano C)

Maria Madalena, Maria mãe de S. Tiago e Salomé põem-se a caminho ao amanhecer. Esta noite também nós caminhámos, seguimos o andar do Povo de Deus pelas sendas da eleição, da promessa e da aliança. O caminho destas mulheres enxerta-se neste longo andar de séculos, e também do nosso. Porque sermos eleitos e portadores da aliança implica sempre pormo-nos em marcha. A aliança que Deus faz com o seu povo e com cada um de nós é precisamente para que caminhemos até uma promessa, até um encontro. Este caminho é vida.

Em contraste, eis a pedra. Imóvel e selada pela conspiração dos corruptos: um verdadeiro obstáculo ao encontro. Estas mulheres caminhavam vacilando entre a ilusão e o entrave; iam ao sepulcro para cumprir uma obra de misericórdia mas a ameaça da pedra fazia-as duvidar. Como elas, também nós sentimos o incitamento a caminhar, o desejo de fazer grandes coisas. Levamos dentro do coração uma promessa e a certeza da fidelidade de Deus, mas a dúvida é pedra, os selos da corrupção são ligaduras, e muitas vezes cedemos à tentação de ficarmos paralisados, sem esperança.

A paralisação adoece-nos a alma, arrebata-nos a memória e tira-nos a alegria. Faz-nos esquecer que fomos eleitos, que somos portadores de promessas, que estamos marcados por uma aliança divina. A paralisação priva-nos da surpresa no encontro, impede de nos abrirmos à "Boa Notícia". E hoje precisamos de voltar a escutar esta Boa Notícia: «Não está aqui. Ressuscitou». Necessitamos desse encontro que destrói as pedras, rasga os selos e nos abre um novo caminho, o da esperança.

O mundo necessita desse encontro, este mundo que se converteu num cemitério. A nossa pátria precisa dele. Necessita do anúncio que levanta, da esperança que impele a caminhar, dos gestos de misericórdia, como o destas mulheres que iam ungir. Necessitamos que a nossa fragilidade seja ungida pela esperança; e que essa esperança nos mova a proclamar o anúncio e a ungir solidariamente a fragilidade dos nossos irmãos.

O pior que nos pode acontecer é que optemos pela pedra e pela corrupção dos selos, pelo desalento, por permanecermos quietos sem nos sentirmos eleitos, sem promessa, sem aliança. O pior que nos pode acontecer é que o nosso coração fique fechado ao assombro do anúncio vivificante que nos impele a continuar o caminho.

Esta é a noite do anúncio, gritemo-lo com toda a nossa existência: Jesus Cristo, nossa esperança, ressuscitou! Proclamemos que é mais forte que o peso da pedra e a segurança provisória que oferece a corrupção dos selos. Nesta noite, Maria gozava já da presença do seu Filho. Ao seu cuidado encomendemos o nosso desejo de caminhar, impelidos pelo assombro do encontro com Jesus Cristo ressuscitado.

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Card. Jorge Bergoglio (papa Francisco)
Vigília Pascal, 2003
In El verdadero poder es el servicio, ed. Claretianas
© SNPC | 09.04.13

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