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D. Gianfranco Ravasi

A cultura é feita pelo povo e pelos artistas, diz presidente do Conselho Pontifício da Cultura

O presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal D. Gianfranco Ravasi, sublinhou hoje em Fátima que «o conceito de cultura não é apenas a produção artística, mas é também a experiência de um povo».

«Uma experiência como aquela que se vive através das velas, símbolo de luz, através dos lenços, símbolos brancos, através da procissão ou da peregrinação, também são símbolos de cultura», disse o prelado, citado pela Renascença.

«Por este motivo penso que Fátima deve ser considerada como lugar de fé e também como um lugar de cultura», afirmou na conferência de imprensa realizada esta tarde.

O cardeal anunciou que durante as celebrações da peregrinação de 12 e 13 de maio, a que preside, vai falar da «feminilidade» da «mulher no interior da cultura católica», temas com «desenvolvimentos cada vez mais complexos».

D. Gianfranco Ravasi evocou Goethe e Nietzsche para sublinhar o relevo do cristianismo na cultura europeia e convidar à redescoberta dessa «grande herança», refere a Agência Ecclesia.

O especialista em estudos bíblicos destacou a necessidade de a Igreja repensar a questão da «comunicação da fé», feita de «maneira tradicional» em espaços como Fátima».

«Temos de começar a recordar que existe outra via, que é a da comunicação informática», declarou o responsável, utilizador da rede social Twitter, onde tem cerca de 20 mil seguidores.

O membro da Cúria Romana frisou também a importância dos santuários como lugares de peregrinação, referindo que «o mundo atual vive quase sempre em lugares de dispersão, nos quais domina a palavra múltipla, que já não tem consistência».

Segundo o cardeal cada peregrino deveria promover «uma operação de mudança profunda, em particular através do silêncio, do silêncio ‘branco’, que não é apenas a ausência de palavras, mas a interioridade».

Por seu lado o bispo de Leiria-Fátima defendeu a necessidade de uma «nova cultura» perante o atual momento de crise internacional, lamentando a excessiva preocupação com «os mercados».

D. António Marto disse que o santuário é uma «pátria espiritual do coração humano», no qual se mostra que «não bastam» as leis da procura e da oferta porque «a humanidade não foi criada para servir os mercados».

O «santuário de paz» vai lembrar em particular as «zonas de conflito doloroso e mesmo trágico», em particular a Síria e vários países africanos, incluindo a Guiné-Bissau, acrescentou.

O bispo anfitrião falou de um «mundo ferido e vulnerável, marcado por uma cultura do desencanto, esgotada», a que contrapôs Fátima como «lugar de encontro, de comunhão, não só das pessoas, mas também de culturas, unidas todas pela beleza da celebração da mesma fé».

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 12.05.12

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