

O papa escreveu aos bispos reunidos num encontro organizado pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa, que decorre até domingo em Sarajevo, frisando que os católicos têm de se empenhar na construção de «um novo humanismo europeu, que precisa de memória, coragem e de uma utopia saudável e humana».
Na missiva, divulgada hoje, Francisco exorta os prelados «a implicar cada vez mais» as suas comunidades «e as diferentes realidades de beneficência e de proteção social no compromisso de anunciar o Evangelho àqueles que perderam o caminho das suas vidas, devido a inumeráveis razões».
A mensagem encoraja os católicos «a encontrar meios e novos caminhos para garantir àqueles que já vivem na Europa ou que a ela acorrem novas capacidades de integração, de diálogo e de renascimento», para que o continente se torne «uma única família de povos».
«Neste caminho de humanização, a Europa, berço dos direitos e da civilização, é chamada não tanto a defender os espaços, mas a ser uma mãe geradora de processos, por isso fecunda, porque respeita a vida e oferece a luz da esperança», realça Francisco, que diz continuar «a rezar para que se construam pontes e se destruam os muros de separação».
O encontro da Bósnia-Herzegovina, dedicado às obras de misericórdia, «recorda a todos os crentes a solicitude para com aqueles que se encontram em necessidade: os migrantes pobres, os refugiados, os reclusos, os desempregados, os doentes no corpo e no espírito», assinala o papa.
«Para contribuir para o renascimento da Europa, a Igreja, mãe atenta, deve aproximar-se com amor das feridas da humanidade para as curar com o bálsamo da misericórdia divina», sublinha.
A carta do papa foi enviada num momento em que países do continente anunciaram a intenção de construir muros para proteger as fronteiras contra o afluxo de imigrantes, como em Calais, na França, ou na Hungria, país que realiza a 2 de outubro um referendo sobre o plano de relocalização dos refugiados na União Europeia.
Nicolas Senèze