História e espiritualidade
Dezassete séculos de vida monástica (5): Gregório, um monge, é eleito Papa
Um monge que foi eleito Papa, conhecido pelo nome de Gregório Magno (c. 540-604), escreve cerca do ano 594 uma Vida de S. Bento, cuja humildade lhe serve de exemplo. A obra contribuiu muitíssimo para a difusão da espiritualidade beneditina, que tem por originalidade associação a separação do mundo e acção caritativa.
Gregório Magno é também o artesão de uma reforma litúrgica que faz com lhe seja atribuída, sem dúvida erradamente, o canto dito “gregoriano”. É “Doutor da Igreja”.
Homem de interioridade, Gregório encoraja o fenómeno dos monges missionários. A Europa é assim evangelizada por religiosos anglo-saxões de tradição beneditina: a Inglaterra por Agostinho de Canterbury, os Países Baixos por Willibrord, a Lemanha por Bonifácio. Vindo da Irlanda, ilha povoada de mosteiros, Columbano (540-615) evangeliza o continente e escreve uma Regra mais estrita que a de S. Bento.
S. Gregório Magno (Antonello da Messina)
Quando no ano 800 Carlos Magno, tendo unificado parte significativa da Europa, se faz coroar imperador pelo Papa, o Ocidente está coberto por grande abadias. A sua arquitectura louva a glória de Deus e marca por muitos séculos a paisagem do continente.
Sob o impulso de Carlos Magno e de Bento de Aniane (c. 740-821), a Regra beneditina é adoptada por quase todos os mosteiros da cristandade. Alguns tornam-se centros de vida religiosa e intelectual de influência incomparável.

O monge copista é uma figura emblemática desta época denominada carolíngia. Graças ao saber e ao conhecimento de hebraico, grego e latim, os contemplativos da Alta Idade Média são preciosos depositários e transmissores da cultura e teologia antigas.
Gregório é um dos cerca de trinta religiosos que saíram dos seus mosteiros e se tornaram papas. Entre os mais célebres estão Gregório VII (1020-1085), da abadia de Cluny (França), autor de uma reforma (dita gregoriana) que pretendia moralizar a vida da Igreja e libertá-la dos poderes civis.
Pio VII (Jacques-Louis David)
Pedro Morrone (1210-1296), um eremita que assumiu o nome de Celestino V, demitiu-se cinco meses após a eleição devido às intrigas na Cúria.
Bento XII (1285-1342), antigo monge cisterciense, constrói o Palácio dos Papas em Avinhão, França. E Pio VII (1742-1823) ficou preso às ordens de Napoleão durante cinco anos e assistiu à tomada dos Estados Pontifícios.
In Pèlerin
Trad.: rm
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05.05.10

Gregório Magno







