Breves
Paisagens
Pedras angulares A teologia visual da belezaQuem somosIgreja e CulturaPastoral da Cultura em movimentoImpressão digitalVemos, ouvimos e lemosPerspetivasConcílio Vaticano II - 50 anosPapa FranciscoBrevesAgenda VídeosLigaçõesArquivo

Leitura

"Poesia Completa", de Manoel de Barros, distinguida pela Casa da América Latina

O Prémio de Literatura Casa da América Latina 2012 foi atribuído ao poeta brasileiro Manoel de Barros pela obra “Poesia Completa”, que o site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura já apresentou.

«O livro, publicado em 2011 pela Editorial Caminho, esteve na base da decisão unânime do júri composto pela presidente Maria Fernanda de Abreu, por Fernando Pinto do Amaral e José Manuel de Vasconcelos, em representação da Associação Portuguesa de Escritores», anunciou a Casa da América Latina (Lisboa).

O poeta nascido em 1916 no estado de Mato Grosso obteve as principais distinções literárias do seu país, como o Prémio Nacional de Poesia (1966), o Prémio Jabuti (1989 e 2002), o Prémio da Academia Brasileira de Letras (2000) e o Prémio Nestlé de Poesia (1997 e 2006), entre outros.

A distinção no valor de 10 mil euros, criada em 2005 para notabiliar uma obra de um autor latino-americano vivo publicada em Portugal nos dois anos anteriores, vai ser entregue em data a anunciar. É a primeira vez que o prémio é atribuído a uma obra poética e a um autor brasileiro.

Além da ligação para o texto sobre o volume publicado no site da Pastoral da Cultura (ver secção "Artigos relacionados"), propomos mais três poemas extraídos da obra premiada.

 

[Alfama]

Alfama é uma palavra escura e de olhos baixos.
Ela pode ser o germe de uma apagada existência.
Só trolhas e andarilhos poderão achá-la.
Palavras têm espessuras várias: vou-lhes ao nu, ao fóssil.
ao ouro que trazem da boca do chão.
Andei nas negras pedras de Alfama.
Errante e preso por uma fonte recôndita.
Sob aqueles sobrados sujos vi os arcanos com flor!

 

[O poema]

O poema é antes de tudo um inuntensílio.

Hora de iniciar algum
convém se vestir roupa de trapo.

Há quem se jogue debaixo de carro
nos primeiros instantes.

Faz bem uma janela aberta
uma veia aberta.

Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema
enquanto vida houver.

Ninguém é pai de um poema sem morrer.

 

As bênçãos

Não tenho a anatomia de uma garça pra receber
em mim os perfumes do azul.
Mas eu recebo.
É uma bênção.
Às vezes se tenho tristeza, as andorinhas me
namoram mais de perto.
Fico enamorado.
É uma bênção.
Logo dou aos caracóis ornamentos de ouro
para que se tornem peregrinos do chão.
Eles se tornam.
É uma bênção.
Até alguém já chegou de me ver passar
a mão nos cabelos de Deus!
Eu só queria agradecer.

 

© SNPC | 10.05.12

Redes sociais, e-mail, imprimir

Imagem

 

Ligações e contactos

 

 

Página anteriorTopo da página

 


 

Receba por e-mail as novidades do site da Pastoral da Cultura


Siga-nos no Facebook

 


 

 


 

 

Secções do site


 

Procurar e encontrar


 

 

Página anteriorTopo da página