

Foi à periferia artística da música americana do séc. XX, nascida fora dos grandes cenáculos do jazz, do musical e das grandes bandas sonoras de Hollywood, que Stephen Layton e o agrupamento vocal Polyphony se dirigiram para criar um programa dedicado a fragmentos corais significativos escritos por compositores dos EUA.
De Samuel Barber (1910-1981) não podia faltar o célebre "Agnus Dei", "Cordeiro de Deus" (1967), arranjo para coro misto a oito vozes do trecho originalmente concebido em 1936 como movimento lento do Quarteto para cordas op. 11, que depois conheceu fama imortal na sua versão orquestral (Adágio para cordas).
Trata-se de quase 10 minutos de música de uma intensidade absoluta, que o grupo Polyphony sonda na sua profundidade, trazendo à superfície toda o carácter cantável da linha melódica e a transparência da trama harmónica, através de um lento e progressivo crescendo que se resolve num clímax sabiamente construído compasso após compasso.
Brusca mudança de registo é a imposta pela "Missa brevis" (1988), de Leonard Bernstein (1918-1990), partitura caleidoscópica em que se sucedem contrastes tímbricos e expressivos, contrapontado por saltos rítmicos sustentados por um rico mostruário de instrumentos de percussão e intervenções solistas confiadas ao contratenor (aqui o celestial Davide Allsopp).
Por seu lado, Aaron Copland (1900-1990) escreveu os seus "Quatro motetes" em 1921 como exercício de composição ao tempo dos seus estudos com Nadia Boulanger; uma ocasião para confirmar os excelentes níveis de técnica e finura interpretativa alcançados pela formação coral inglesa fundada em 1986 por Stephen Layton.
O apuro interpretativo é confirmado pela execução das duas obras de Randall Thompson (1899-1984), que abrem e fecham a antologia: o "Aleluia", dado à luz em 1940, e o menos conhecido "Fare well" (1973), comovente cair de pano destinado a uma cerimónia fúnebre.
"American Polyphony" foi eleito disco do mês (agosto de 2015) na revista "BBC Music Magazine" e disco da semana (6 de julho) pela página "Presto Classical".
Andrea Milanesi