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«Não devemos pretender compreender o mundo só com a inteligência: conhecemo-lo, na mesma medida, através do sentimento. Por isso o juízo da inteligência é, no melhor dos casos, apenas metade da verdade.»
Este é um passo do ensaio “Tipos psicológicos”, de Carl G. Jung, com Freud um dos pais da psicanálise. A sua reflexão merece atenção porque muitas vezes somos tentados a considerar como verdadeiro só o que segue os cânones das demonstrações racionais.
É indiscutível que a inteligência é uma grande via cognoscitiva a que nunca se deve renunciar. Todavia o ser humano possui outros canais de conhecimento, e um deles é o sentimento, no sentido mais alto do termo: pense-se somente no amor que faz revelar horizontes ignorados à razão.
Também a beleza não é plenamente percetível a não ser através de uma intuição que compreende razão, paixão, contemplação. Por esse motivo o grande Pascal introduziu aquelas «razões do coração» que vão além das razões da mente.
A própria experiência de fé é um conhecimento que adota a razão mas que se encaminha por um percurso posterior. É, portanto, necessário nunca se encerrar entre os extremos de um racionalismo árido e auto-suficiente e um sentimentalismo adocicado e inconsistente. Razão e sentimento são duas luzes que orientam para a verdade plena.
É ainda Pascal, nos seus “Pensamentos”, que nos alerta para evitar «os dois excessos: excluir a razão e só admitir a razão», consciente de que «o último passo da razão é reconhecer que há uma infinidade de coisas que a ultrapassam».