Universidades católicas devem mostrar «harmonia entre fé e razão» e resistir à diluição da sua identidade, diz papa
As universidades católicas, «pela sua própria natureza, estão empenhadas em mostrar a harmonia entre fé e razão, e a evidenciar a relevância da mensagem cristã para uma vida humana vivida em plenitude e autenticidade», frisou hoje o papa.
No encontro que teve no Vaticano com uma delegação da universidade norte-americana de Notre Dame, Francisco vincou que é «essencial um testemunho corajoso das universidades católicas no que diz respeito ao ensinamento moral da Igreja e à defesa da liberdade de manter esses ensinamentos».
À semelhança da mensagem que dirigiu esta semana aos membros das academias pontifícias, o papa acentuou a importância do discipulado missionário, que deve «ser percecionado de modo muito especial nas universidades católicas».
«Espero que a Universidade de Notre Dame continue a oferecer o seu indispensável e inequívoco testemunho» quanto à sua «fundamental identidade católica, especialmente diante das tentativas, de onde quer que provenham, de a diluir. E isto é importante: a identidade própria, como foi desejada desde o início. Defendê-la, conservá-la, fazê-la avançar», afirmou.
Em dezembro, a Universidade de Notre Dame tentou, pela segunda vez, opor-se judicialmente, como fizeram outras instituições católicas, à determinação federal que impõe às companhias de seguros oferecerem uma cobertura de saúde que inclui práticas contracetivas e abortivas, mas o apelo foi rejeitado.
A regra está incluída na reforma da saúde que o presidente dos EUA, Barack Obama, quer implementar, e que tem sido fortemente contestada pela conferência episcopal norte-americana.
Com sede no estado do Indiana, a Universidade de Notre Dame esteve nos últimos meses no centro dos debates por causa de um artigo escrito no jornal “New York Times” por um professor de filosofia, Gary Gutting, intitulado “Deveria o papa Francisco repensar o aborto?”.
Em 2009, o convite que a instituição formulou a Obama para abrir a cerimónia de entrega dos diplomas, na continuidade de convites feitos a anteriores presidentes, foi também criticada nos meios católicos.
A decisão de entregar a Obama o doutoramento “honoris causa” inflamou o debate, com diversas associações católicas em favor da vida, bem como alguns bispos, a criticarem o convite, que o arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan, considerou um «grande erro».
Opinião diferente teve o presidente da associação das universidades jesuítas, padre Charles Currie, defendeu o convite, o mesmo acontecendo com o reitor de Notre Dame, padre John Jenkins.
O responsável máximo da secção romana da Santa Cruz, a congregação religiosa que fundou a universidade, Hugh Cleary, escreveu a Obama uma carta aberta em que lhe pedia para reconsiderar as suas ideias quanto à bioética, mas não colocou o convite em causa.
Rádio Vaticano, Vatican Insider
Redação: rjm
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30.01.14









