Arqueologia
Vaticano anuncia descoberta de fresco de S. Paulo pintado no século VI
O Vaticano anunciou hoje a descoberta nas catacumbas de São Gennaro (Januário), na cidade italiana de Nápoles, de um fresco do apóstolo S. Paulo que terá sido executado nos primeiros anos do século VI.
A notícia, revelada no dia em que a Igreja Católica evoca Pedro e Paulo, classifica o achado de «sensacional» e recorda que há um ano foi encontrado nas catacumbas de Santa Tecla, em Roma, um relevante conjunto de imagens daqueles dois apóstolos e dos seus companheiros João e André.
Em texto publicado na edição de 29 de junho do jornal L’Osservatore Romano, o presidente da Comissão Pontifícia da Arqueologia Sacra, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, refere que o fresco, encontrado após a restauração de um nicho fúnebre, «é um dos mais intensos da antiguidade tardia, antes de o Apóstolo se tornar um ícone da civilização Bizantina».
Catacumbas de S. Gennaro
O rosto de Paulo, «extremamente expressivo e caracterizado pela fisionomia particular de um filósofo, é similar às representações romanas do mesmo período e às trazidas à luz há alguns anos no oratório das grutas em Éfeso», na atual Turquia, explica o também presidente do Conselho Pontifício da Cultura, acrescentando que a figura está voltada para as sepulturas.
A descoberta, que ocorreu durante o restauro promovido pela Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra, com o apoio da arquidiocese e comunidade napolitana, «enriquece e define» a «compreensão da evolução iconográfica do príncipe dos apóstolos, iniciada em Roma no fim do século IV e difundida a partir de então em todo o mundo cristão antigo».
Catacumbas de S. Gennaro
«Neste contexto – prossegue Gianfranco Ravasi – a figura de Paulo representa iconograficamente os cruzamentos da cultura e identidade judaica, romana e grega que ele incarnou e que caracterizou o seu trabalho e atividade missionária em todo o Mediterrâneo.»
A metrópole de Nápoles, que Paulo conheceu na sua derradeira viagem que o conduziu à prisão e à morte em Roma, era «proverbialmente multiétnica».
O destino comum de Paulo e de Pedro, mortos na capital do Império Romano, junta «as duas mais importantes testemunhas de Cristo», constituindo o «emblema da ligação espiritual, religiosa e política entre a Ecclesia ex gentibus [Igreja dos gentios] e a Ecclesia ex circumcisione [Igreja dos circuncisos, isto é, dos que seguiam os preceitos judaicos], mas também entre o Oriente e o Ocidente», conclui o prelado.
A imagem mais antiga de S. Paulo, datada do séc. IV, encontra-se nas catacumbas de Santa Tecla, Roma.
Rui Martins
© SNPC |
28.06.11

Fresco retratando S. Paulo nas catacumbas de São Gennaro
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Descoberta a mais antiga imagem de S. Paulo






