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«Vivemos em autêntica mudança epocal, tanto na civilização como na cultura», considera bispo do Porto

O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, afirmou que a sociedade está a viver uma «autêntica mudança epocal, tanto na civilização como na cultura», e considera que a Igreja Católica não compreende nem responde adequadamente às mutações sociais.

A transição «não implica obrigatoriamente a perda do adquirido, mas a sua integração geral ou parcial num outro quadro mental e prático, a partir de outros princípios ou de necessidades sobrevindas e arvoradas em princípios», afirmou esta segunda-feira em Alfragide, refere o site da diocese portuense.

A Igreja «contemporânea, sobretudo onde urbanismo, industrialização e comunicações se desenvolverem mais, revelou dificuldades acrescidas em compreender a urbanização sociocultural e o crescente protagonismo individual que ela gerou ou possibilitou», salientou.

Para o vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa a necessidade da «nova evangelização» estende-se a «espaços mais recentemente tocados pela missão cristã e agora inseridos numa globalização mediática e secularista, rápida e sem fronteiras».

D. Manuel Clemente frisou que «o catolicismo europeu só terá futuro» se for «evangelizador e missionário», a começar «no próprio bairro, escola ou hospital, quando não na própria casa e família de cada um».

A «crise», que também atinge a «valorização muito acrescida» do «indivíduo e das suas escolhas», uma das características da «pós-modernidade», não se restringe aos «efeitos económicos da rotura financeira», que «são os mais sentidos, no campo do trabalho e da falta deste, na vida empresarial e familiar».

Por isso, acrescentou, é exigida «uma compreensão não meramente circunstancial das coisas», para que a «sociedade em geral» e a Igreja não se fiquem pelas «inevitáveis consequências» desta crise «propriamente cultural» e possam «ensaiar respostas capazes de criar futuro».

Na conferência intitulada "O Ano da Fé e a Nova Evangelização - Entre a cultura e a pastoral", D. Manuel Clemente acentuou que a Igreja «tem de radicar-se, necessariamente, em experiências comunitárias autênticas».

«Das famílias às paróquias, dos institutos a todas as formas agregativas da vida cristã, a partilha do Evangelho e da vida é a fonte essencial da missão e da nova evangelização», vincou.

O prelado citou a exortação "Christifideles Laici", assinada em 1988 pelo papa João Paulo II, onde se lia que «é urgente, sem dúvida, refazer em toda a parte, o tecido cristão da sociedade humana. Mas a condição é a de refazer o tecido cristão das próprias comunidades eclesiais».

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 06.02.13

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