Música
"Vilancicos negros do século XVII"
O vilancico é uma das formas poético-musicais da música ibérica do Renascimento. Inicialmente tem uma estrutura ABBA – um refrão, uma copla executada duas vezes, e de novo o refrão. Esta estrutura vai tornar-se cada vez mais complexa, com mais do que duas partes diferentes, por vezes longas e elaboradas, numa evolução que irá conduzir à cantata-vilancico do fim do século XVII e do século XVIII.
À excepção de “Antonya Flaciquia Gasipà” todos os vilancicos incluídos neste disco são originário do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, casa dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e um dos principais centros musicais portugueses durante os séculos XVII e XVIII.
Ernesto Gonçalves de Pinho, autor do primeiro grande estudo sobre este mosteiro (“Santa Cruz de Coimbra Centro de Actividade Musical nos Séculos XVII e XVIII”, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1981) dá a imagem de uma comunidade musical auto-suficiente que utilizava os seus próprios membros como cantores, instrumentistas, mestres de música, compositores e fabricantes de instrumentos.
Durante os cinco anos de noviciado cada monge tinha que estudar música e órgão, mas todos os que tocassem outros instrumentos que pudessem ser usados nos serviços religiosos faziam-no também, sempre que isso lhes fosse pedido.

Entre os vilancicos de Santa Cruz de Coimbra há muitos negros, obras que são magníficos exemplos da troca cultural inerente às descobertas e evangelização portuguesas.
Em várias línguas – português, castelhano, crioulo ou mesmo outras, que aparecem em diálogo, misturadas ou com exotismos (trata-se muito provavelmente de uma imitação dos negros vindos das colónias quando tentavam falar português) – estas peças têm quase sempre como tema o Natal.
Neste CD interpretado pelo Coro Gulbenkian, dirigido por Jorge Matta, propomos o vilancico “En um portal derribado”, sobre o nascimento do Menino Jesus.
Texto de apresentação do CD: Jorge Matta
In Vilancicos negros do século XVII
20.06.10

Vilancicos negros
do século XVII
Interpretação
Coro Gulbenkian
Jorge Matta (dir.)
Editora
Portugaler
Referência
Portugaler 1016-2







