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Deus não entra em corações endurecidos e ideológicos

«O remédio contra a dureza do coração é a memória», apontou hoje o papa na missa a que presidiu, na casa de Santa Marta, no Vaticano, durante a qual convidou a não esquecer a graça divina que torna o coração sincero e capaz de misericórdia.

Os discípulos que subiram à barca com Jesus «discutiam entre eles porque não tinham pão», relata o Evangelho proclamado nas celebrações eucarísticas desta terça-feira (cf. Marcos 8,14-21).

Jesus apercebe-se e adverte-os: «Porque discutais que não tendes pão? Não percebestes agora e não compreendeis? Tendes o coração endurecido» Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não escutais? E não vos recordais de quando eu parti os cinco pães para os cinquenta mil, quantos cestos repletos de pedaços levastes convosco?».

Francisco baseou-se nesta cena do Evangelho para explicitar a diferença entre um «coração endurecido», como o dos discípulos, e um «coração compassivo», como o de Jesus, porque a sua vontade «é a compaixão»: “Quero misericórdia, e não sacrifícios”».

«E um coração sem compaixão é um coração idolátrico, um coração autossuficiente, que vai por diante apoiado pelo próprio egoísmo, que se torna forte apenas com as ideologias», sublinhou.



Será o coração «não ideologizado», mas «aberto e compassivo» a tudo o que acontece no mundo que será positivamente julgado por Deus, como Jesus menciona: «Tive fome, deste-me de comer; estive na prisão, vieste ver-me; estava aflito, e consolaste-me»



O papa recordou os «grupos ideológicos do tempo de Jesus: os fariseus, os saduceus, os essénios, os zelotas. Quatro grupos que tinham endurecido o coração para levar por diante um projeto que não era o de Deus; não havia lugar para o projeto de Deus, não havia lugar para a compaixão».

«Quando o coração endurece, esquece-se. Esquece-se da graça da salvação, esquece-se da gratuidade. O coração endurecido conduz aos litígios, conduz às guerras, conduz ao egoísmo, conduz à destruição do irmão, porque não há compaixão. E a maior mensagem de salvação é que Deus teve compaixão de nós», vincou.

Os Evangelhos são atravessados por um «refrão», quando Jesus «vê uma pessoa, uma situação dolorosa: “Teve compaixão dele”. Jesus é a compaixão do Pai; Jesus é a bofetada a toda a dureza do coração», prosseguiu.

Será o coração «não ideologizado», mas «aberto e compassivo» a tudo o que acontece no mundo que será positivamente julgado por Deus, como Jesus menciona: «Tive fome, deste-me de comer; estive na prisão, vieste ver-me; estava aflito, e consolaste-me».

É nesta atitude sensível, condoída e pronta a reagir que reside «a compaixão», «a não-dureza do coração», e para ela se consolidar é preciso reconhecer que todo o ser humano «tem alguma coisa que se endureceu no coração», e por isso precisa de pedir a Deus que lhe conceda «um coração reto e sincero».

«Nos corações endurecidos não pode entrar o Senhor; nos corações ideológicos não pode entrar o Senhor», porque Ele «entra só nos corações que são como o seu coração: os corações compassivos, os corações que têm compaixão, os corações abertos», concluiu Francisco.


 

Gabriella Ceraso
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: alexskp/Bigstock.com
Publicado em 18.02.2020

 

 
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