A estrela e o espelho. Compreender hoje os pecados capitais Mário Rui de Oliveira «Numa época que tem por maximamente virtuosa a afirmação do que se é, sob a máscara da "autenticidade", escandaliza falar no combate contra nós próprios. A tradição cristã, contudo, consciente de que somos criaturas feridas, sempre insistiu em que há uma longa batalha a travar contra as tentações que nos assediam, isolando algumas como especialmente poderosas. A primeira lista do tipo, compilada por Evágrio (†399), é aqui revisitada por Mário Rui Oliveira, canonista e poeta, que atualiza para o nosso tempo, sem os esvaziar do seu incómodo, cada um dos oito "pensamentos" ("logismoi") elencados pelo monge do Ponto, acolhendo os contributos de outras disciplinas (como a psicologia) e outros autores (como o papa Francisco), para mostrar que é pelo combate contra si mesmo que, afinal, o ser humano se afirma na sua dignidade plena, alcançando a liberdade desejada pelo Pai.»
Vida de Santo Antão Santo Atanásio de Alexandria «Santo Antão (†356) é tradicionalmente tido por o pai do monaquismo: terá sido ele o primeiro a retirar-se para o deserto em busca de uma maior perfeição espiritual. Porém, essa sua atitude radical talvez não tivesse inspirado outros não fosse a sua biografia, saída da pena de outro gigante da Igreja, Atanásio: o livro, vertido em latim ainda em vida do seu autor, tornou-se um verdadeiro best-seller, difundindo por toda a cristandade antiga o ideal monástico. Antão, contudo, não é apenas um modelo para os consagrados: o seu combate espiritual (são célebres as suas tentações, matéria de quadros e filmes) é uma ilustração (extrema) das lutas interiores, quotidianas, de cada cristão, e a sua relação com Deus suscita, no crente, uma santa inveja e a vontade de cultivar igual proximidade com o Senhor.»
Entrega-me a tua alma Pedro Guerreiro Cavaco «Pedro Vigoroux sempre viveu entre excessos: riqueza, poder, prazer, infidelidades. A família foi deixada em segundo plano e o coração, endurecido pelo orgulho, parecia distante de qualquer redenção. Mas a doença não escolhe tempo nem circunstância. No leito da morte, confrontado com a fragilidade da vida, pede a presença de um sacerdote. O que se segue é uma confissão pungente, narrada na primeira pessoa, em que se entrelaçam memórias, arrependimentos e esperanças. "Entrega-Me a tua Alma" é um romance sobre a condição humana, a busca de sentido e a misericórdia que pode surgir mesmo nos instantes finais.»
Com sabedoria se habita uma casa João Paulo Costa «As meditações de índole sapiencial que se seguem procuram ser uma reflexão em torno da ideia de casa enquanto morada do nosso ser-no-mundo. O título é uma glossa da passagem do livro sapiencial dos Provérbios, no qual se diz que “Com sabedoria é construída uma casa; / E com inteligência é estabelecida” [Pr 24,3]. Assim, este conjunto de meditações, em estilo de prosa poética, pretende ser uma materialização do pensamento sapiencial praticado por filósofos, místicos, poetas ou artistas.»
Urdiduras espaciais João Paulo Costa «como velhas corujas-das-torres / de voz rasgada, erguemos / os olhos vendados e perturbados / no retiro nocturno / a um ente que já não existe, / esse é o fim do filho do humano – / não crer no que já foi – / e que se perdeu na nuvem obscura / do tudo saber»
Manual de discernimento AA.VV. «Francisco, o primeiro papa jesuíta da História e um profundo conhecedor da espiritualidade inaciana, foi buscar aos Exercícios Espirituais – modelo criado por Santo Inácio de Loiola – o método para governar. Primeiro a sua vida interior, depois a missão como pastor da Igreja Universal. É sobre isto que fala este livro. Pela voz dos autores – jesuítas, leigos de espiritualidade inaciana e simpatizantes das causas de Francisco – que escreveram artigos de opinião no Ponto SJ (o portal dos Jesuítas em Portugal), ao longo dos últimos anos, descobrimos como a vida de Jorge Mario Bergoglio foi moldada por esta chave de leitura: conhecer, decidir, colher.»
A Paixão em contemplações de papel José María Rodríguez Olaizola, sj «Na Paixão encontramo-nos com o amor e o medo. Com a fragilidade capaz de assumir os seus erros e com a que fica prisioneira da culpa e do remorso. Com a dureza de coração e a compaixão mais profunda. Com o perdão, o rancor, o egoísmo de quem pensa apenas nos próprios interesses. Com a ternura, que aparece nos momentos mais inesperados. E, claro, encontramo-nos com Jesus, que nos revela Deus e o ser humano. A partir do dom e do mistério, dos gestos concretos da sua vida até ao último gesto: a cruz abraçada. José María Rodríguez Olaizola convida o leitor a prestar atenção aos pormenores da Paixão, a deixar-se implicar, envolver, usando a imaginação para ler o Evangelho. E, assim, a descobrir a sua afinidade com situações e personagens e a tentar entender melhor Jesus, neste momento culminante da sua vida. E, quem sabe, a refletir sobre si e sobre a sua história.»
Passemos à outra margem. Por uma vida religiosa renovada François-Xavier Bustillo «A vida religiosa constrói-se e amadurece de crise em crise e de conversão em conversão. Por vezes surgem novas intuições que pretendem ser faróis orientadores, mas que acabam por revelar-se apenas reações voluntaristas e oportunistas: tentam salvar a vida religiosa, mas correm o risco de obscurecer ou mesmo enterrar o Evangelho. O nosso tempo exige, por isso, que abandonemos visões marcadas pela raiva, pelo cansaço e pelo medo, para viver a vocação e a missão com alegria, audácia e autenticidade. Entre o conforto e o esforço, emergem hoje duas visões da vida religiosa que se tornam perigosamente caricaturais. Torna-se, então, essencial redescobrir a dinâmica de um verdadeiro coração a coração, conscientes de que a vida fraterna constitui o ecossistema vital e sustentável dos religiosos.»
O casamento – a grande invenção divina. Teologia para uma espiritualidade conjugal José Fernández Castiella «"Precisamos de ler e meditar obras como esta. Num tempo marcado pela pressa e pela dispersão, este livro convida-nos a parar e a contemplar o essencial: a beleza do amor que permanece, a fidelidade que atravessa as gerações, a esperança que nasce no seio das famílias. Ao fazê-lo, ele recorda-nos que a renovação da sociedade começa no lar, e que a evangelização do futuro passa, inevitavelmente, pela santidade das famílias de hoje." (D. Rui Valério, in "Prefácio")»
O caminho santo do Calvário - Via-Sacra P. Agostinho Tavares «Este devocionário propõe acompanhar Jesus na Via-Sacra, do palácio de Pilatos até ao Gólgota, com profundidade e amor. Inspirado por tradições históricas, enriquecido com textos bíblicos e estruturado em três modelos de meditação, é uma ajuda concreta para tornar cada estação uma experiência de fé e interioridade. Seja para uso pessoal, em grupos ou em celebrações litúrgicas, esta obra convida a uma renovada contemplação do mistério da cruz: para que, no silêncio e na oração, possamos ser iluminados pelo imenso amor que levou Cristo a entregar-Se por nós. Permita que esta Via-Sacra o guie, e que a cada passo, o coração se abra ao Mistério da salvação.»
A promessa das Cinzas - Meditações para o tempo da Quaresma P. Luc de Bellescize «Nesta meditação quaresmal, o Pe. Luc de Bellescize propõe uma experiência espiritual que acolhe a nossa finitude e a transforma em promessa. Através de reflexões bíblicas e simbólicas, as “cinzas” da nossa existência – sinal de penitência e fragilidade – tornam-se caminho para descobrir a Palavra que Se faz carne, sofre e ressuscita. Com uma voz que combina profundidade teológica e sensibilidade pastoral, o Pe. Luc convida cada leitor a entrar mais fundo no mistério pascal, onde o amor de Deus não apenas nos confronta com a nossa pequenez mas introduz-nos na esperança viva da ressurreição. "A promessa das Cinzas" é um companheiro para todos aqueles que desejam viver a Quaresma não como um tempo de obrigação, mas como um convite à transformação do coração.»
Na mesa da Palavra - Reflexões dominicais - Festas e solenidades Ano A – São Mateus P. Ricardo Freire «Neste volume de “Na Mesa da Palavra”, Pe. Ricardo Freire SCJ apresenta-nos o evangelho de São Mateus como mesa de encontro, alimento e luz para a vida quotidiana do discípulo de Cristo. Ao longo do Ano A, somos convidados a sentar-nos à mesa da Palavra, a escutar atentamente e a deixar-nos transformar por ela. No Advento, a vigilância consciente antecipa a vinda do Senhor. No Natal, contemplamos o Verbo que assume a carne e habita entre nós. Na Quaresma, iniciamos um caminho de conversão, oração e serviço. Na Páscoa, somos chamados à vida nova, animados pela Ressurreição de Cristo. Cada domingo, cada tempo litúrgico, é ocasião de encontro com o Emanuel — Deus-connosco — que nos fala, cura, ensina e conduz à plenitude da fé. Que esta obra seja para si um guia de escuta, contemplação e renovação na fé, na esperança e no amor.»
Esperança em São Tomás de Aquino. A felicidade, a paixão da Esperança, a virtude teologal da Esperança e a vida da Esperança, oração São Tomás de Aquino «Neste volume, exclusivamente baseado em excertos de textos de São Tomás de Aquino, organizados e arrumados por tópicos, são abordadas quatro grandes componentes. Primeiro a felicidade, propósito último de toda a esperança. Em seguida, a paixão da esperança, aquela sensação que todas as pessoas, e até os animais, sentem perante um bem futuro, difícil, mas acessível. O terceiro elemento é a virtude teologal da Esperança, um dos três hábitos que nos ligam diretamente a Deus. Finalmente, sob a epígrafe "A vida da Esperança", é analisada a oração, em particular na sua versão suprema, o Pai Nosso.»
Um caminho de três dias. Tropário da liturgia na casa do ser Joaquim Félix de Carvalho «"Um caminho de três dias" é uma obra que convida a redescobrir a liturgia como experiência viva, poética e transformadora. Entre palavra, imagem e música, Joaquim Félix de Carvalho propõe um itinerário espiritual que atravessa a memória, o corpo e o mistério, situando a ação litúrgica no coração da existência humana. Com linguagem simbólica e densidade teológica, o livro interpela crentes, ministros, artistas e todos os que procuram habitar a liturgia como fonte de beleza, verdade e vida. "Os textos de Joaquim Félix de Carvalho, presbítero e formador na Arquidiocese de Braga, manifestam consciência do carácter poético, operativo e humilde, da liturgia. Bastará lermos ou escutarmos uma das suas homilias para termos a convicção de que a entende como lintel estendido entre duas pilastras, a poesia e a memória" (Ruy Ventura).»
Deus existe? O grito do homem que pede salvação Card. Robert Sarah «Nas páginas deste livro, o cardeal Robert Sarah responde às diversas questões que lhe são colocadas sobre a existência e a presença de Deus nas nossas vidas, sobre o seu silêncio aparente, a morte, o sofrimento, a dor e a alegria, entre muitos outros temas. Hoje, talvez mais do que no passado, temos todos uma grande necessidade de respostas claras e fundamentadas, de testemunhos tangíveis, de encontros que nos revelem a existência e a presença de Deus. Tal como Zaqueu, habita em nós um desejo de verdade e plenitude, e precisamos de «ver Cristo» para preencher um «vazio» que constantemente nos recorda que Deus existe.»
A força da mansidão. Uma viagem pelas páginas do Evangelho de Mateus Luigi Maria Epicoco «Jesus é uma figura desconcertante, que baralha as expetativas de todos, de João Batista a Judas. Ambos aguardavam um messias violento, ainda que de modos diferentes; Jesus, para sua surpresa, revela-se o manso por excelência, o cordeiro que não bale enquanto é arrastado até ao matadouro. Nesta sua aparentemente frustrante fragilidade esconde-se, porém, a sua força, uma força outra, uma força maior. É esta força que Luigi Maria Epicoco convida o leitor a descobrir, atravessando com ele o Evangelho de Mateus, abordado aqui não pelas lentes da Biblística mas em chave existencial intensa, num esforço permanente por destacar a mensagem perenemente válida do texto sagrado para a nossa vida concreta, ferida: o Ressuscitado espera-nos aí.»
Mente aberta, coração aberto - A dimensão contemplativa do Evangelho Thomas Keating «Neste livro profundamente inspirador, o autor propõe um método simples e acessível de oração, a oração centrante, como porta de entrada para a contemplação cristã. Inspirado nas palavras de Jesus em Mateus 6,6, este caminho conduz o leitor a um lugar interior de silêncio, consentimento e comunhão. Mais do que uma técnica, trata-se de um processo de renovação espiritual, que transforma a consciência, cura feridas interiores e revela a presença divina que habita em nós. Com clareza pastoral e sabedoria espiritual, Mente aberta, Coração aberto oferece um itinerário para todos os que desejam viver o Evangelho a partir do coração, na escuta amorosa e silenciosa do Espírito.»
Comentário à Dei Verbum - A Palavra de Deus P. David Palatino «Sessenta anos depois da sua aprovação, este livro acompanha o percurso histórico, teológico e eclesial que tornou possível a redação da "Dei Verbum" e apresenta um comentário claro, rigoroso e pastoralmente útil, capítulo por capítulo. (...) Este comentário nasce do desejo de devolver à "Dei Verbum" a força inspiradora que marcou o pós-Concílio. Organizado segundo a estrutura original da Constituição, o livro conjuga clareza pedagógica, precisão teológica e fidelidade ao espírito conciliar. Não se limita a explicar o texto: revela as suas raízes, destaca o seu impacto e oferece chaves de leitura que dialogam com os debates atuais sobre revelação, inspiração, hermenêutica, Tradição e magistério. Uma obra de referência para quem estuda Teologia, para quem ensina, para quem prega e para quem deseja viver a fé à luz da Palavra de Deus.»
Histórias da Bíblia para corações pequenos Eligelson Barroso (org.); Izaac Brito (ilustr.) «Este livro convida as crianças a embarcarem numa viagem encantada pelo universo da Sagrada Escritura, através de algumas das suas histórias mais belas, adaptadas com linguagem simples, poética e catequética. De forma lúdica e acessível, os pequenos leitores irão descobrir episódios fundamentais da história da salvação, desde a Criação até ao Pentecostes, acompanhados por personagens marcantes como Abraão, Moisés, David, Maria e Jesus. Com frases curtas, ritmo narrativo envolvente e uma linguagem repleta de ternura, este livro desperta a fé, o encanto e o conhecimento dos mais novos sobre a Palavra de Deus. Perfeito para ler em família, em catequese ou no ambiente escolar, estas páginas são uma porta de entrada para o mundo bíblico, ajudando a semear desde cedo o amor por Deus e pela sua história com a humanidade.»
A prática da presença de Deus Frei Lourenço da Ressurreição «Livro de cabeceira de Leão XIV, "A prática da presença de Deus" é uma joia da espiritualidade cristã. O seu autor, Lourenço da Ressurreição (1614-1691), viveu ao serviço dos seus irmãos carmelitas, primeiro como cozinheiro, depois como sapateiro remendão. Foi entre tachos e panelas que ganhou o hábito de se pôr permanentemente na presença do Senhor, fazendo até as tarefas mais insignificantes por amor d’Ele. Nas suas cartas e máximas, dá um testemunho atordoante da tectónica transformação interior operada pela sua resolução de tudo fazer animado do mais vertiginosamente desinteressado amor por Deus, fundado numa confiança absoluta na extravagante bondade do Pai. A sua proposta, desarmantemente moderna, é que o leitor viva em continuada conversação amorosa com Aquele que está sempre com ele, porque o habita (...).»
A fé dos demónios ou o ateísmo ultrapassado Fabrice Hadjadj «Mais do que um tratado de demonologia, este livro é um ensaio denso e provocador sobre o verdadeiro combate da fé. Inspirado por uma nota de São João Crisóstomo — "Não temos certamente nenhum gosto em ocupar-vos com o diabo, mas a sua doutrina fornece-me uma oportunidade muito útil" —, o autor convida o leitor a enfrentar a inquietante realidade do pecado mais radical: o pecado do anjo, do espírito que se revolta contra o Espírito. Irremissível por natureza, este pecado lança luz sobre aquilo que, em última instância, ameaça também o coração humano. Meditar sobre ele é, pois, preparar-se para o mais íntimo dos combates — aquele que se trava entre a luz e as trevas, dentro da própria fé. Se ao terminar estas páginas o leitor não sentir uma inquietação aguda, terá talvez perdido a sua essência.»
«Quero ser da equipa de Cristo» - Biografia espiritual de Joe Reali P. Ricardo Figueiredo «Há vidas simples e discretas que se tornam espelho da presença de Deus. A de Joe Reali é uma delas. Jovem apaixonado pelo desporto, pelos amigos e pela vida, Joe viveu cada instante com uma fé alegre, firme e contagiante. Neste retrato espiritual, o Pe. Ricardo Figueiredo convida-nos a conhecer a história de um jovem que acreditava verdadeiramente em Deus e procurava, em tudo, fazer a Sua vontade, custasse o que custasse. «Quero ser da equipa de Cristo» foi a frase que Joe escreveu quando pediu admissão ao Seminário, e que dá título a esta biografia. Mais do que um desejo, é o eco de uma vocação vivida com autenticidade: pertencer a Deus e levar o Evangelho ao mundo. Um testemunho que desafia e inspira, mostrando que a santidade é possível, e começa nas pequenas coisas de cada dia.»
Conversas no Céu Teresa Vaz Guedes, Veruschka Guerra (ilustr.) «Cartas, entrevistas e apresentações vindas do Céu. De que falam essas cartas? O que contam? O que testemunham? Testemunham a história de um Amor sem fim, na qual Jesus é o grande protagonista. No Céu, os anjos e os santos juntam-se a Nossa Senhora para festejar a alegria deste Amor eterno.»
Abraçar o tempo - Porque gosto de envelhecer Anselm Grün «"Abraçar o tempo significa aceitar a vida como ela é, com as suas luzes e sombras, e descobrir nela uma nova liberdade" (Anselm Grün). Com serenidade e profundidade, Anselm Grün partilha a sua experiência pessoal do envelhecer. Longe da resignação, ele mostra como a velhice pode tornar-se um tempo de plenitude, sabedoria e esperança. Um livro que convida à reconciliação com a própria história, ao acolhimento da fragilidade e à abertura à Graça.»
De profundis. Pensar e acreditar depois de Auschwitz João Diogo Gonçalves «A palavra "Auschwitz" significa imensamente mais do que apenas o nome de um lugar. O maior campo de extermínio construído pelos nazis passou a ser o símbolo da dor, da angústia e da morte de milhões de pessoas. (...) Neste livro são recolhidas interpelações postas por algumas das vítimas do Holocausto, relacionando-as com a reflexão teológica que surgiu depois desse período obscuro da História humana. A teologia, perante acontecimento tão hediondo, teve de reconsiderar os paradigmas que sustentavam a sua arquitectura, a fim de dar maior atenção ao aparente silêncio Deus diante do mal e do sofrimento humano. Esta nova forma de o saber teológico abordar o sofrimento, consagrou uma nova época para a reflexão, pois apercebeu-se que era urgente uma teologia "depois de Auschwitz".»
«O meu corpo feito grito» - Fluxos religiosos na poesia e nos gestos do fado (1926-1945) Cátia Tuna «Como é que o substrato religioso de uma sociedade fortemente catolicizada se verteu para o repertório e para as microcoreografias do fado? Que memórias espirituais ou corporais, Individuais ou coletivas, codificam a intimidade original desta nova discursividade e gestualidade de "alma e sentimento" em que o fado se vai constituindo, sobretudo no segundo quartel do século XX? (...) Que marcas de natureza devocional ou mística são reconhecíveis nos cantadores dessa época enquanto estratégias de organização corporal ou de construção de uma persona vocal? Em que medida o contexto de um país que começava a viver em ditadura pode explicar a emergência de uma interioridade inédita nesta primeira geração de fadistas profissionalizados? Nesta obra, que oferece o retrato do mundo dos primeiros discos de fado, das primeiras vedetas fadistas e das primeiras casas de fado, poderá encontrar as respostas a estas questões e o esboço de outras interrogações.»
Quando os cristãos não sentem a fé. Discernir com estilo sinodal Tiago Freitas «Tiago Freitas reflete sobre o caminho grande que, em Igreja, se chama “sinodalidade”. Mais ainda, ele indaga acerca do sentido desse “caminho conjunto” e descobre, no património fundamental da teologia cristã e na inspiração do II Concílio do Vaticano, a fé como resposta: o seu sentido é o sensus fidei. O sentido comum é, portanto, encontrado onde todos em Igreja primeiramente se encontram: na mesma identidade batismal de filhos de Deus e membros do Corpo de Cristo. Esta condição batismal não é apenas o chão que torna possível um tal caminhar em conjunto, mas também o seu horizonte de sentido. (D. Alexandre Palma)»
Um presente para o Menino Jesus Graça Nóbrega Alves (texto), Carla Pinto (ilustrações) «No decurso de uma aventura, que acontece no dia 24 de dezembro, as crianças vão descobrindo o simbolismo dos espaços, da luz, das peças da Igreja e compreendem porque é que o Menino Jesus está ausente do presépio até à Noite de Natal. Em simultâneo, são sensibilizadas para a importância de se preservar o património da Igreja. Um livro infantil, que nos conduz por uma aventura, onde o património da Igreja, o seu simbolismo e a importância da sua preservação, assumem especial protagonismo. (...) A história é complementada com sete páginas de jogos. Trata-se de um projeto onde se articulam o gosto pela leitura, com a evangelização e a educação para a valorização do património.» «A venda de cada livro representará também um contributo solidário, 1€ reverterá para o Centro de Acolhimento temporário "Regaço Materno", do Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, em Almada.»
Bens Culturais da Igreja - Desafios. Atas das 1.as Jornadas da Pastoral dos Bens Culturais AA. VV. O objetivo das primeiras Jornadas da Pastoral dos Bens Culturais foi «destacar a importância do património da Igreja Católica no contexto da pastoral, evangelização, conhecimento histórico e patrimonial, educação, criação artística, cultura e turismo», além de «promover as melhores práticas de preservação e valorização» do património.»
O humor de Jesus. O mundo de pernas para o ar Klaus Berger «Neste originalíssimo estudo, Klaus Berger, importante teólogo alemão, restitui à pregação de Jesus o seu carácter indisciplinado, trazendo ao de cima as múltiplas instâncias em que Jesus se socorre do absurdo e do exagero, em evidente provocação aos ouvintes, procurando suscitar neles o riso e, pelo riso, a reflexão que leva à conversão. O Autor mostra como o humor de Cristo está intimamente ligado à sua liberdade ante todos os gigantes aparentes que oprimem os homens; tal liberdade, por seu lado, funda-se na certeza de ser amado pelo Pai e numa observância radical do Primeiro Mandamento. O humor de Jesus é, pois, muito mais do que um simples artifício retórico: é uma dimensão até agora pouco explorada que manifesta alguns dos aspetos centrais da pessoa e missão de Jesus.»
Søren Kierkegaard. Poeta e teólogo singular Domingos Salgado de Sousa «Kierkegaard permanece um personagem apaixonante: na sua vida e pensamento, pulsa uma intensidade desconfortável, pela violência com que enxota o leitor da sua existência pacata, não refletida, também ao nível da fé: o filósofo exige do crente uma resposta pessoal, vivida, ao evento Cristo, rejeitando a primazia do dogma ou a mediação privilegiada da Igreja. Neste seu livro, Domingos de Sousa, especialista no Dinamarquês, propõe-se reconstruir a evolução do pensamento propriamente teológico de Kierkegaard, estudando as principais intuições e linhas-de-força da reflexão do filósofo em torno de matérias como o pecado original, o lugar da caridade na experiência da fé e a natureza do próprio crer. (...) No fim, fica claro que o tempo não beliscou minimamente a capacidade de Kierkegaard de nos desinstalar, convidando a uma vivência sem compromissos da fé em Jesus.»
De corpo e alma. Crónicas para caminhos de encontros humanos e divinos Paulo Duarte, sj «Qual a relação entre o indivíduo e a comunidade? Qual a relação entre o nosso ser corpo individual e o ser Corpo com outro? E a nossa relação diante do corpo vulnerável que apenas quer ser amado? Qual a relação corpo humano e corpo divino? Quanto mais descubro a beleza de encontrar Deus desde corpo, mais confirmo a densidade do mistério da encarnação como caminho de sanação e, em profundidade teológica, de consciência de salvação. O ser humano, como corpo que é, abre-se também de modo corporal à transcendência. Sou suspeito, mas tenho para mim que, se nos habitarmos mais em corpo, integrando as luzes e sombras da existência, muitas guardadas em memória corporal, fomentaremos também a paz e o respeito entre nós e, alargando, entre os povos.»
O Papa Leão XIV. Quem é, o que pensa e o que espera de nós Stefan Von Kempis «Robert Francis Prevost, nascido em 1955, é o primeiro norte-americano à frente dos 1400 milhões de católicos em todo o mundo. Eleito sucessor do Papa Francisco num conclave surpreendentemente curto, assumiu o nome de Leão XIV. Foi superior da Ordem de Santo Agostinho em Roma e bispo no Peru antes de o Papa Francisco o levar para a Cúria Vaticana em 2023, atribuindo-lhe a responsabilidade pela seleção dos bispos católicos em todo o mundo e nomeando-o arcebispo e cardeal. Apesar da carreira eclesiástica meteórica, o seu nome não constava das listas de apostas durante o conclave, mas agora todos os olhos estão postos nele: quem é? O que pensa? Que história traz consigo, o que o marcou e o que é importante para ele? Que tarefas o esperam e como se posicionou até agora? O que significa a escolha do seu nome papal? E o que implica para o futuro rumo da Igreja?»
Sermões - III - Atos dos Apóstolos e Cartas Santo Agostinho «Nos sermões publicados neste terceiro volume o Bispo de Hipona alimenta a sua pregação sobretudo de trechos das "Cartas" paulinas, das Cartas Pastorais e de alguns passos dos "Actos dos Apóstolos". Porque na liturgia da Palavra, a par destas fontes neotestamentárias, eram lidas páginas dos Evangelhos, do Antigo Testamento, para além do Salmo que era cantado ("Sermo" 153,1; 154 A,4; 159 B, 3. 4; 176,1), o pregador raramente se restringe ao texto e temática bíblicos enunciados no começo de cada "Sermão".»
Alfaias litúrgicas JMJ Lisboa 2023 Avelino Leite «Este livro é uma celebração artística e espiritual da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023. Reúne, em desenho e imagem, o processo de criação das alfaias litúrgicas que marcaram as celebrações eucarísticas do encontro mundial dos jovens com o Papa. Prefaciado pelo Cardeal Américo Aguiar, o volume reflete a beleza, a simplicidade e o simbolismo que caracterizaram cada peça – cálice, píxide, cruz processional, custódia, férula, asterisco, lanternas, lavanda, galhetas e turíbulo – concebidas pelo pintor Avelino Leite e executadas com mestria pela oficina Domingos Guedes, Lda. Nas formas e nos materiais reflete-se a força da fé e a alma de Portugal, unindo tradição, arte e liturgia. As fotografias documentam este percurso criativo e espiritual, transformando o livro num testemunho duradouro da fé e da beleza vivida na JMJ Lisboa 2023.»
Nossa Senhora da Rocha e a Companhia de Jesus: Política, devoção e tradição (1822-1834) Francisca Branco Veiga, José Manuel Subtil «A obra apresenta uma análise aprofundada das complexas tensões políticas e religiosas que marcaram Portugal no início do século XIX. No primeiro capítulo, o Doutor José Manuel Subtil contextualiza essas crises, desde as invasões francesas até às regências e revoluções que moldaram o panorama político da época. Já nos segundo e terceiro capítulos, da autoria da Doutora Francisca Branco Veiga, é explorado o papel central do culto mariano de Nossa Senhora da Rocha, evidenciando-o como símbolo de poder político e espiritual, associado ao miguelismo e à influência da Companhia de Jesus. Baseado em documentação inédita, este livro convida o leitor a revisitar um período crucial da história portuguesa, revelando como fé, política e tradição se entrelaçaram durante o reinado de D. Miguel.»
Pensamento social católico, mercado e políticas públicas. Desafios do Século XXI Philip Booth, André Azevedo Alves (orgs.) «Nas últimas décadas, têm-se registado enormes reduções na pobreza global; melhorias na educação e na saúde; e, embora surpreendentemente para alguns, reduções drásticas na desigualdade global. Parece que estamos a entrar numa era diferente. O progresso económico nos países mais ricos parece ter estagnado – sobretudo devido ao início daquilo que o Papa Francisco descreveu como o "inverno demográfico". Mais preocupante ainda é o facto de, em muitas partes do mundo, o progresso dos últimos quarenta anos ter estagnado. Os autores deste livro aplicam o seu conhecimento especializado e utilizam o pensamento social católico para abordar os desafios do mundo atual. De um modo geral, os autores defendem que uma economia empresarial corretamente organizada, com uma forte oferta de cuidados de saúde e educação de inspiração católica, é um requisito necessário para a prosperidade e o bem-estar.»
O Direito Canónico na História. Fontes, ciência e instituições Joaquín Sedano, Nicolás Álvarez de las Asturias «Conhecer o sentido e a origem das leis vigentes, canónicas e civis, é fundamental para melhor as compreender e aplicar. Mas isto não é possível sem o estudo da história do Direito Canónico, que mostra que a proteção da “coisa justa” se conseguiu de muitos modos ao longo do tempo, desmontando assim o positivismo jurídico que faz coincidir “o justo” com o “legal”. Graças ao olhar crítico da História compreendemos que as normas são sempre perfectíveis para estarem ao serviço da justiça, que as precede e orienta.»
A vida eterna Roberto Pasolini «Roberto Pasolini, o novo pregador da Casa Pontifícia, põe de pernas para o ar o discurso habitual sobre a vida eterna: mais do que uma realidade que nos aguarda depois da morte, ela é, antes de tudo, uma experiência de relação com Deus e, nesse sentido, já operante aqui e agora, sempre que vencemos o que o Autor chama de «primeira morte»: o lastro do pecado em nós, que se manifesta sob a forma da desesperança e do fechamento sobre si mesmo, em suma, a negação do amor. A vida eterna só pode ser uma promessa mobilizadora se se tornar tangível desde já, emprestando vida à nossa vida.»
A Igreja regressa à cidade Tiago Freitas (coord.) «A cidade é o lugar onde hoje se joga o futuro da fé. Nela se cruzam culturas, linguagens e modos de vida que desafiam a presença e a ação da Igreja. "A Igreja regressa à cidade" reúne contributos de diversos autores que refletem sobre este encontro decisivo entre o Evangelho e a experiência urbana. Entre a teologia, a pastoral e as ciências sociais, o livro procura compreender como a comunidade cristã pode habitar o espaço citadino de um modo novo, criativo e fiel à sua missão. Um contributo plural e atual para pensar a evangelização nas cidades e redescobrir Deus no coração da vida moderna.»
O Menino e a sua mãe. A figura de Maria nas Escrituras Santas António Couto «No caminho para Emaús, o Ressuscitado elucida aos dois discípulos todos os passos da Escritura que a Ele se referem. Dom António Couto, bispo de Lamego, com o seu estilo próprio, que balança delicadamente entre o erudito e o lírico, faz aqui um exercício análogo, mas em relação a Maria, desvelando ao leitor as ricas ressonâncias bíblicas das poucas palavras que os evangelistas dedicam à mãe de Jesus, cujo perfil, assim, se delineia mais perfeitamente. Um livro que devolve à figura de Maria a profundidade e a presença que a Palavra lhe reserva.»
A religião das mulheres na Idade Média André Miatello «O texto discute os limites entre o secular e o religioso, bem como o papel dos leigos e leigas na Igreja medieval, desafiando conceitos estabelecidos e promovendo uma nova compreensão dos termos “leigo” e “laical”. (...) Ao examinar o papel inovador das mulheres que moldaram a experiência religiosa, o livro destaca a sua contribuição teológica e o impacto que exerceram tanto no laicado como no clero. Analisa figuras como abadessas, eremitas e leigas penitentes, sublinhando os modos como essas mulheres conseguiram administrar espaços eclesiais, governar comunidades locais e influenciar a sociedade, desafiando as normas estabelecidas. Este livro é um convite a redescobrir a Idade Média e as mulheres desse período sob a luz da vivência religiosa, através da qual a agência e a criatividade femininas foram reconhecidas e celebradas.»