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Rumo ao amor, dia 14: A felicidade

De que coisa está à procura a maior parte de nós?

O que é que cada um de nós deseja?

É certamente importante descobri-lo, e para o fazer procuramos, afanosamente, passando de um líder para o outro, de uma organização religiosa para outra, de um Mestre para outro. Por vezes, não sei se procuramos a felicidade, ou quem sabe aquela outra gratificação de que esperamos que nos traga felicidade. Buscamos todos um sentido de plenitude.

Depois de tudo, se buscamos um pouco de paz, ela pode encontrar-se muito facilmente, mas seguramente isto não nos resolve o problema porque aquilo que falta, verdadeiramente, é uma clareza interior. Lemos livros, frequentamos cursos procurando encontrar um remédio para o conflito, para a infelicidade da nossa vida, mas na realidade em nós há um anseio a algo de permanente, algo a que nos agarrarmos e que dê segurança: uma esperança, um entusiasmo duradouro, uma certeza que não morra. Ir para além de experiências e gratificações que não se desvaneçam num arco de 24 horas.

Pergunto-me se existe alguma coisa de duradouro nesta Terra, e se a paz e a felicidade podem verdadeiramente ser dadas por alguém outro.

Conheci na minha vida pessoas felizes que habitavam o ser universal, e todavia e amigos do singular… Homens que regeneravam a ideia do todo em cada partícula do ser, ocupados a alcançar a transcendência, e no entanto atentos ao detalhe. Aprendi deles que a felicidade é antes de tudo simplicidade, e que, como diz Marguerite Yourcenar, «toda a felicidade é inocência». Essa inocência observada no seu evitar prazeres inúteis e problemas inúteis, no seu aceitar a vida e, com elas, os seus acidentes, melhor, saber utilizá-los.

A felicidade é um estado de graça terno e frágil: um efeito do coração.

Mas como encontrar a felicidade?

Antes de tudo, devemos encontrar uma razão para viver, saber aquilo que se quer, e querê-lo com paixão. Depois, deixar ao conselho, a uma certa casualidade, à conspiração das circunstâncias a possibilidade de nos forçarmos a escolher esse caminho único.

Por fim, é muito importante cultivar os papéis que escolhemos, mas que dormitam constantemente em nós. Equilibrar assim a outra parte de nós, de maneira a que quem é demasiado ativo cultive em segredo um espírito de solidão e de contemplação, quem cultiva as ciências cultive também a leitura, quem vive os trabalhos manuais cultive também a poesia. É importante esta abertura ao universal para compensar o desequilíbrio do nosso viver que nos conduz ao esgotamento.

A felicidade é mais do que o prazer e mais do que a sobreabundância, é um contentamento que se basta a si próprio.


 

Luigi Verdi
In La realtà sa di pane, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Mihailo K/Bigstock.com
Publicado em 09.03.2020

 

 
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