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A força que a missa acende nos católicos: faltam cinco dias

No próximo sábado, ainda que com cautela, regressaremos à missa. Vai abrir-se uma espécie de período de “reabilitação” que exigirá uma certa laboriosidade. Será preciso agir com determinação, porque se não houver boa vontade, não há reabilitação. Mas é preciso também progressividade e prudência, porque se alguém fizer as coisas demasiado à pressa, arrisca-se a voltar às dores que o trauma causou, como sublinhou o arcebispo de Milão.

A Igreja avança, atenta mas segura, para a plena retomada do encontro com Cristo nos sacramentos. É o caminho que indicou o papa a 17 de abril, quando, numa das memoráveis homilias de Santa Marta, cunhou um dos seus famosos neologismos, o de «não viralizar» a missa e os sacramentos, dando a entender que, assim que fosse possível, se deveria voltar à comunhão sacramental – a real, não mediática. «Esta é a Igreja de uma situação difícil, que o Senhor permite, mas o ideal da Igreja é sempre com o povo e com os sacramentos. Sempre», declarou Francisco.

A verdadeira pergunta, para nós, cristãos, é como o regresso à missa vai mudar a nossa vida. Os nossos colegas e amigos dar-se-ão conta de que para nós é melhor ir à missa em vez de olhar para o papa, o bispo ou o pároco na televisão ou na internet? Não seria bonito descobrir que o regresso à missa “sacia” a nossa fome de Deus, mas que tudo acaba aí. Seria terrível se, terminada a celebração, nos descobríssemos pagãos como antes, centrados em nós próprios, e não nos outros, como se não fossemos enxertados no Corpo de Cristo.

Para o cristão, em particular para o leigo, a missa não é só um “encontro espiritual”, nem sequer, diria, o “cume da vida”. Após a primeira compreensível emoção por um regresso à comunhão na nossa comunidade, ou seja, de alguma forma, “um regresso à casa do Pai”, deveremos sentir a vontade de ir pelas estradas a levar Cristo. Como dizia o P. Tonino Bello, ide à missa, a paz acabou.

O fruto da Eucaristia deveria ser o desencadear de uma força impetuosa que muda o mundo, desmascara idolatrias, está próxima dos pobres. A missa não é um momento de alívio, um canto de paz espiritual. É, antes, o fio que, levando-nos pelas estradas, nos escritórios, em casa, tece a nossa quotidianidade. Pode ser que aconteça nas celebrações de Pentecostes do próximo sábado-domingo o que aconteceu noutros lugares: inesperadamente voltaram à missa muitíssimos cristãos que, há meses, tinham deixado de ir.

Nós, padres, durante o período de encerramento das igrejas, celebrámos o mesmo e comunicámo-lo; os leigos, por seu lado, tiveram uma ocasião única para compreender o que é a missa para eles, para quem vive no meio do mundo.

Depois de alguns dias do início do confinamento, surgiram notícias surpreendentes de águas que ficaram mais limpas, ares que se tornaram mais puros e respiráveis. A partir do próximo dia 30 de maio, haverá uma análoga emissão de oxigénio graças aos cristãos “eucaristizados”? Seria triste descobrir que a missa de um padre menos corajoso do que o papa, mas que nos dá o Pão Consagrado, o Corpo de Jesus, é menos importante do que aquela transmitida pelos meios de comunicação.

Não esqueçamos que durante muito tempo aquele “memorial” que depois se chamou “missa” (de uma das palavras da fórmula conclusiva do rito em latim) se celebrava uma vez por semana, ao domingo; que só depois se celebrou também às quartas e sextas-feiras, e que, só a partir do século IX, se torna “missa quotidiana”. Porém, os séculos sem a missa diária foram aqueles dos primeiros cristãos, aqueles que evangelizaram o mundo.


 

A partir de texto de Mauro Leonardi
In Avvenire
Trad. / adapt.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 24.05.2020

 

 
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