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«O que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços»: A nova vida dos telhados das igrejas

Pegou no microfone, guitarra e altifalante, e na manhã deste domingo subiu ao teto da igreja para celebrar missa: o P. Raffaele Giacopuzzi juntou-se hoje à lista de sacerdotes que, roídos de saudade das suas comunidades, passaram a dar uma interpretação literal ao desafio lançado por Jesus: «O que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os terraços».

«Um presente para todo o bairro», «um gesto belíssimo que nos deu grande conforto num período tão triste», «estamos comovidos, muito comovidos», «fez algo de grande, uma coisa que nos mudou o dia, que nos deu um pouco de serenidade num período em que é difícil encontrá-la», comentaram os residentes do bairro de Roma onde o padre cantautor é pároco, depois de acorrerem às janelas e varandas das suas habitações para seguir a eucaristia. No fim, um grande aplauso encheu a praça.

Ao terceiro domingo de “abstinência” do contacto com os paroquianos, devido às limitações sanitárias impostas para prevenir o contágio do coronavírus, o P. Raf, como é conhecido, decidiu também ele subir ao telhado: «Fazem-me muita falta, todos, e estou feliz por, pelo menos esta manhã, ter conseguido celebrar com um pouquinho da minha comunidade», afirmou.










Na capital italiana, a missa sobre o teto da igreja na paróquia de outro bairro, há uma semana, «foi uma surpresa muito apreciada, sobretudo para os idosos que não usam as redes sociais, e que não sabiam nada da iniciativa», explica o P. Simone.

«Se os fiéis não podem ir à missa, levá-la-emos nós até eles, e então olhámos para o alto e pensámos no nosso teto. Foi complicado chegar lá, porque temos uma escada anti-incêndio muito estreita, mas conseguimos porque estávamos muito determinados», acentuou.

Meia dúzia de km a oeste, noutro bairro igualmente populoso, uma paróquia faz ressoar todos os dias, ao meio-dia, a oração do Angelus, entre os blocos de apartamentos e avenidas.

«Subimos ao teto da sacristia, que é o mais alto de todo o complexo paroquial», diz o P. Roberto, acrescentando: «Primeiro fazemos tocar os sinos, depois recitamos o Angelus através das amplificações que o fazem ouvir ao bairro. Há dias, unimo-nos ao aplauso dedicado aos médicos e ao pessoal sanitário».

Também neste caso as muitas pessoas que se chegam às janelas e saúdam os padres e religiosas que estão ao serviço da paróquia.

«Agora que há um pouco mais de silêncio, conseguimos olhar para o alto e refletir; as varandas tornaram-se um centro de agregação, fazem-nos gestos e chegam-nos mensagens, por e-mail, de agradecimento e de pedidos de oração», assinala.

O sacerdote destaca que as pessoas que pedem apoio através da oração sentem-se «muito consoladas»; «depois, a oração solitária faz-nos redescobrir a dimensão dos mosteiros de clausura, que com a sua oração ajudam todo o mundo».


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Il Messaggero, Vatican News
Imagem: RudiErnst/Bigstock.com
Publicado em 29.03.2020

 

 
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