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Rumo ao amor, dia 19: A sabedoria

A sabedoria não é saber tudo da vida, mas saber viver e colocar em prática; é a inteligência de estar com os outros ganhando nós e eles sem criar perdedores.

Sabedoria é inteligência mais coração, é o equilíbrio da cabeça e das emoções em tudo o que fazemos.

A sabedoria é saber permanecer no nosso lugar com serenidade e firmeza no meio das ondas do mundo, é desfrutar os tempos difíceis em vez de os maldizer, é construir quando todos destroem, é ter a coragem de estar fora das modas da estação, porque quando as coisas envelhecem depressa, é sinal de que não têm um fundamento sólido.

As pessoas felizes são pessoas que estão de pé, que têm qualquer coisa por que lutar, qualquer coisa em que acreditam, que não se sentam à margem da estrada. As pessoas infelizes, quanto a elas, dobram-se sobre si e fecham-se dentro delas.

É demasiado miserável a nossa sabedoria, e incerta a nossa providência.

É importante distinguir o essencial da vaidade, a banalidade daquilo que conta de verdade. Se não fazemos a cada dia este serviço à nossa mente, um dia cairemos na mediocridade, iludindo-nos de nela encontrarmos um valor ou um sentido. Seria preciso, no fim de cada dia, selecionar aquilo que é essencial, aquilo que conta realmente, daquilo que não conta, deveríamos fazê-lo mais vezes em vez de continuar a misturar tudo. É esta vigilância, como tomada de consciência do nosso caminho, que devemos cultivar.



Deveríamos aprender a contar os nossos dias para chegar à sabedoria do coração. Sabedoria capaz de fazer-nos reconhecer Jesus nas suas muitas outras presenças silenciosas.



Por vezes pensamos que estamos despertos quando não o estamos. Vigiar é guiar, com uma clara consciência, os sentidos e as três dimensões que temos: mente, corpo e alma.

A sabedoria requer uma outra atenção, aquela que Jesus faz experimentar aos discípulos na transfiguração, dizendo-lhes que a luz acesa sobre o monte não elimina a noite. No termo da transfiguração, descem do monte e reentram na escuridão das habituais contradições, mas a luz da transfiguração, se é verdade que não eliminou a noite, permite-lhes dar passos, caminhar um pouco.

Há uma luta contínua entre a sabedoria e o espírito do mal e da mediocridade. A sabedoria é mansa, o espírito do mal grita; a sabedoria é conciliadora, o espírito do mal não permite que o ser humano seja livre; a sabedoria está repleta de misericórdia, o espírito do mal não tem piedade de nós; a sabedoria não tem parcialidade nem hipocrisia, o espírito do mal é hipócrita porque se esconde no interior e não tem coragem de nos olhar na cara.

As escassas migalhas de sabedoria que adquirimos na vida, e que nos mudaram o coração, passaram através daquilo que na vida era imediato, pobre, essencial, simples, descomplicado.

Não foram os discursos de Jesus que converteram Pedro, mas o vê-lo com os espinhos e os escarros. Foi o Jesus da cruz que converteu o centurião, como para Francisco foi o leproso no caminho.

Deveríamos aprender a contar os nossos dias para chegar à sabedoria do coração. Sabedoria capaz de fazer-nos reconhecer Jesus nas suas muitas outras presenças silenciosas.


 

Luigi Verdi
In La realtà sa di pane, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Tinnakorn/Bigstock.com
Publicado em 15.03.2020

 

 
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