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“A vida pela Amazónia”: Documentários lembram católicos mortos em defesa de povos indígenas

Basta uma pequena pesquisa para revelar o número impressionante de leigos, religiosos e padres que deram a sua vida para defender os povos indígenas e outras populações subjugadas ao poder da s indústrias extrativas da Amazónia.

O conjunto de documentários “A vida pela Amazónia”, compostos, até ao momento, por cinco episódios de 20-25 minutos, evoca esses mártires não só para que a sua memória não se esqueça, mas para que o seu exemplo estimule a continuação das lutas que combateram em nome do Evangelho.

Os filmes, produzidos pela Rede Eclesial Pan-Amazónica e pela SIGNIS, contam com testemunhos de líderes comunidades, religiosos e habitantes da região, intercalados com vídeos e imagens de arquivo, com o propósito de oferecer uma narrativa emocionalmente significativa.

Ao refletir sobre «o rosto e o espírito amazónico da Igreja», a  série pretende mostrar as questões de vida e morte colocadas pela devastação dos recursos naturais da região e da sua população indígena, ao mesmo tempo que inquieta o espetador com a interrogação do que pode ser feito para salvaguardar a “casa comum”.

O primeiro documentário recorda a figura de D. Alejandro Labaka Ugarte, bispo capuchinho espanhol, morto pela tribo dos Tagaeri, juntamente com a irmã terciária capuchinha colombiana Inés Arango. Entraram no território indígena para iniciar uma negociação com a tribo e defendê-la das explorações petrolíferas na área, mas os habitantes, angustiados com o medo de ser atacados, mataram os dois missionários que lhes tinham oferecido apoio e proteção.










“Kiwxi” recupera o testemunho do missionário jesuíta Vicente Cañas, assassinado em 1987 por proteger povos indígenas do Brasil, e de quem o bispo emérito D. Pedro Casaldáliga afirmou: «É o missionário contemporâneo que atingiu o nível mais alto de inculturação: nasceu espanhol, nacionalizou-se brasileiro e inculturou-se Enawenê-nawê».










«Comprometer-se com o índio, o mais pobre, desprezado e explorado, é assumir firme a sua caminhada, confiante num futuro certo e que já se vai tornando presente, nas pequenas lutas e vitórias, reconhecimento dos próprios valores e direitos, busca de união e autodeterminação. Vale arriscar-se»: esta foi a mensagem redigida pela religiosa brasileira Cleusa Carolina Rody Coelho poucos dias antes de ser morta, em 1985.










Ezequiel Ramin, missionário italiano da congregação dos Combonianos, é o protagonista do quarto documentário. Foi assassinado também em 1985, no estado brasileiro da Rondônia, aos 33 anos, quando regressava de uma missão de paz. Defensor dos índios e dos pobres, foi baleado pelo seu compromisso com os sem-terra.










O padre colombiano Alcides Jiménez foi assassinado em 1998 por grupos armados, quando o país enfrentava o conflito com guerrilheiros e grupos paramilitares. Promoveu a organização comunitária e o desenvolvimento social e humano dos camponeses, mulheres e jovens pobres, para que fossem protagonistas da mudança, deixando de lado a tentação dos cultivos ilícitos.










O sexto episódio, de um total previsto de dez, já em fase de produção, centra-se na vida da indígena Nicolasa Noza de Cuvene, assassinada no século XIX por defender o seu povo da escravidão, durante o auge da exploração da árvore da borracha. O documentário refletirá igualmente sobre o papel fundamental exercido pelas mulheres bolivianas no processo de libertação dos povos indígenas.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: SIGNIS, Sínodo para a Região Pan-Amazónica
Imagem: D.R.
Publicado em 06.03.2020

 

 
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