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Conferência Episcopal Portuguesa

Eleições: Absentismo é «arma perigosa» e votar significa «afirmar valores e exigir responsabilidades»

«O absentismo é uma arma perigosa que facilmente acaba por penalizar quem a usa», alertam os membros da Conferência Episcopal Portuguesa em nota pastoral publicada a propósito das eleições para o Parlamento Europeu, que decorrem no próximo domingo em Portugal.

Depois de sublinhar que, «por vezes, a onda de descrédito que atinge alguns setores políticos é tendenciosamente generalizada», os bispos realçam que as eleições vão marcar o futuro da União Europeia nos próximos anos, pelo que «devem ser encaradas como um momento privilegiado para colaborar na construção de uma Europa melhor».

No documento, os bispos frisam que «votar não é um ato burocrático», mas «afirmar valores e exigir responsabilidades a quem deve servir os povos de uma Europa justa e solidária».

O projeto europeu está «sempre em construção», pelo que eleições constituem uma oportunidade que não se pode «desperdiçar para a sua edificação», fortalecendo «ideais e valores» sobre os quais se ergueu a comunidade europeia, para os quais «muito tem contribuído a fé cristã ao longo dos séculos».

«No ato de votar, o eleitor cristão tem o dever de não trair a sua consciência, iluminada pelos critérios e valores do evangelho de Jesus. Importa, também agora, exercer a virtude da cidadania participativa, assumida como uma obrigação moral. Uma Europa melhor, que justamente desejamos, também depende de cada um de nós», assinala.

A Europa será «melhor», aponta o episcopado, desde que «seja salvaguardada a vida humana desde conceção até morte natural», o «capital não se arvore em governo autocrático mas sirva a pessoa humana e o bem comum» e «o desemprego não pareça um mal inevitável mas um desafio a responder sem adiamentos».

O continente, prosseguem os prelados, evoluirá a partir do momento «em que as fronteiras não se fechem à solidariedade com os povos maltratados política e economicamente», ao mesmo tempo «que o diálogo inter-religioso e intercultural seja o caminho de sentido único para uma paz justa e duradoura».

A nota intitulada "Votar por uma Europa melhor" salienta que a campanha eleitoral deveria ter sido esclarecedora, exigindo dos candidatos «propostas realistas, geradoras de soluções concretizáveis, evitando falsas ilusões».

«A Igreja acompanha com respeito e atenção as atividades das instituições europeias que honrem a Europa como a sua casa moral e espiritual, promovendo os valores que são a matriz da sua identidade», assinala o episcopado português.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 23.05.14

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