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Rumo ao amor, dia 39: Amor

Quando uma sociedade separa o ser humano da sua transcendência, inicia a degradação da relação entre o homem e a mulher. Vivemos amores frágeis e relações superficiais, incapazes de se tornarem uma história fecunda de futuro. Amores de coração em tempestade, que se perderam no vento sem permanecerem vivos, vigilantes, sem esperar que a luz e o calor lhe permitissem crescer.

Não nos faz bem este nosso fugir diante das primeiras dificuldades, este mudar de mulher, de ideias, de sonhos, sem amar nenhum, esta ternura sem laços, este procurar os outros não para os amar, mas para refugiar-se neles, este individualismo superficial e repleto de ânsia.

O amor precisa de tempo para amadurecer, como uma planta deve saber resistir com paciência nas chuvas de outono e estar serena nas tempestades de primavera. Como uma planta, o tempo tornará mo amor humildade e doçura.

Não depende só da preguiça se as relações humanas se repetem tão monótonas e sem novidade, mas do medo do novo e do imprevisível que o amor requer, do não deixar um espaço aberto que se torna um lugar não só para acolher o outro, mas para as relações com ele. Um espaço onde é permitido depor as armas, distender-se e encontrar-se.

O amor para além das palavras precisa de gestos e sinceridade. Os gestos do amor são feitos de pequenas atenções diárias, da surpresa do coração quando os passos de quem amas se aproximam, de olhares que afastam as trevas e protegem o amor. São feitos de detalhes que nascem do recíproco servir, da intimidade, da respiração e do falar da pele.



Quando Jesus dizia «ama a Deus com toda a mente, com todo o corpo e com toda a alma», pedia para voltar a amar Deus não como pessoas submissas ou escravas, mas como enamoradas



A sinceridade do amor deve ser tão humilde que te deixe seres olhar do na verdade, e tão misericordiosa que seja capaz de ver sem condenar, porque o amor deve ser sincero mais do que perfeito.

Não suporto o amor que se enche de orgulho ou se consuma numa generosidade invasiva. O amor verdadeiro é discreto e delicado, respeitoso das feridas e das emoções de cada pessoa. Gosto de quem ama uma pessoa sem se perguntar de onde vem e para onde vai, sentindo que só com espírito puro e livre se pode caminhar com ela.

O amor não liga, mas liberta. O outro não é a tua metade, nem complementar a ti, é uma identidade que se realiza só no respeito da diversidade, no permitir ao outro que permaneça carne, vivo, e sem o transformar naquilo que tu desejarias.

O ciúme, a ansiedade e a intransigência que nascem no amor são filhos de um medo que não sabe ver o outro na sua essência e verdade, na sua luz e sombra. Nascem do não saber perscrutar os segredos do coração, de um amor que não tem a força de ajudar a viver, a morrer, e, sobretudo, a renascer.

Quando se está enamorado, tudo de nós, mente, corpo e alma está unido ao objeto do nosso amor. Por isso, quando Jesus dizia «ama a Deus com toda a mente, com todo o corpo e com toda a alma», pedia para voltar a amar Deus não como pessoas submissas ou escravas, mas como enamoradas.


 

Luigi Verdi
In Il domani avrà i tuoi occhi, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Tinnakorn/Bigstock.com
Publicado em 06.04.2020

 

 
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