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Carlo Acutis, futuro beato: «Ajudou muitas almas a aproximarem-se de Deus», diz mãe

O papa Francisco autorizou, esta sexta-feira, a Congregação para a Causa dos Santos a promulgar, entre outros, o decreto referente ao milagre atribuído à intercessão de Carlo Acutis, falecido aos 15 anos devido a uma leucemia fulminante.

Nascido em 1991, em Londres, Carlo Acutis esteve muito ligado à devoção à Virgem e à Eucaristia, além de ter sido catequista e concretizado projetos informáticos sobre o tema da fé. Morreu a 12 de outubro de 2006, na cidade italiana de Monza, depois de oferecer o seu sofrimento pelo papa e pela Igreja. Entrevista à mãe, Antonia Salzano.

 

Hoje [sábado, 22/2] chegou esta bela notícia…

Sonhei que Carlo me dizia que se tornaria beato e também santo. No momento trágico da sua doença, e quando depois ele faltou, sonhei também com S. Francisco, que me dizia que Carlos chegaria muito alto na Igreja: eu vejo esta grande igreja, e Carlo ao alto. Nesse tempo não compreendia, depois compreendi muitas coisas.

 

A morte de um filho é sempre terrível para um pai…

Quando morreu, tive a sensação de que morria como santo: enfrentou a doença sempre com o sorriso, nunca um lamento, apoiado pela luz da fé, não tinha medo. Dizia: «Morro feliz porque nunca desperdicei um minuto da minha vida em coisas que não agradavam a Deus». Estava sereno. Quando adoeceu, estava muito consciente: «Eu não saio vivo daqui, mas dar-te-ei muitos filhos», tranquilizava-me. Poucos meses antes de adoecer, filmou-se a dizer que quando chegasse aos 70 kg estava destinado a morrer. Efetivamente, morreu pesando 70 kg.

Houve muitos pequenos sinais que me ajudaram depois a viver esta grande dor da distância, que me confortaram. Na fé a relação não acaba, mas é preciso aprender uma modalidade diferente de comunicação.

 

A sua fama de santidade espalhou-se depressa?

Sim, desde que morreu as pessoas dirigiram-se a ele com confiança: uma senhor que foi ao funeral tinha um tumor, rezou-lhe e teve uma cura; outra mulher, de 44 anos, não podia ter filhos, rezou a Carlo e após alguns meses ficou grávida. Desde logo as pessoas que o tinham conhecido confiavam-se a ele, depois a fama de santidade espalhou-se: jovens que começaram a formar grupos de oração, imitando-o; catequistas que levaram a sua história como testemunho. Tudo isto me deu serenidade. O Carlo trouxe frutos para muitas pessoas, ajudou muitas almas a aproximarem-se de Deus. Muitos assinalaram-nos milagres, graças especiais e conversões.

 

Na família tinham a perceção de ter um filho excecional?

Já em vida tínhamos dado conta de que Carlo era um jovem especial: a sua luminosidade, a sua bondade, a sua vida de oração eram fora do normal. Ao mesmo tempo, ele teve uma vida como muitos seus coetâneos, partilhou paixões comuns a outros jovens, como a internet, a bola e outros passatempos; gostava de estar com os amigos, era um rapaz muito simpático, mas fez cada coisa com grande equilíbrio e esperança, e tudo à luz e na presença de Deus, melhor, colocando sempre Deus no centro dos seus dias, com a santa missa, o santo terço, a adoração eucarística antes ou depois da missa. Era fidelíssimo a estes encontros. Levou Deus na vida diária, na escola, na família, com os amigos, em todo o lado.

Esta sua vida, a harmonia que tinha alcançado, penso que pode ser uma ajuda para o caminho de santidade de muitos. Muitas vezes começa-se com a ideia de fazer coisas demasiado altas, e depois quando não se consegue há o desencorajamento, e deixa-se andar, ou não se começa porque há o sentimento de impreparação. O papa Francisco recorda-nos que todos somos chamados a ser santos. Deus tem para cada pessoa um projeto único, especial e irrepetível, mas, como o Carlo dizia, todos nascem originais, mas depois, por vezes, morremos como fotocópias, porque não se segue o projeto de Deus sobre nós. Por isso, é importante compreender que também hoje, apesar da tecnologia e das descobertas científicas, que nos fazem sentir invencíveis, a televisão e tantos inputs negativos que são dados, pode ser-se santo.

Como o Carlo fez, espero que este caminho de santidade possa ser percorrida por muitos jovens, mesmo sem serem beatificados ou canonizados. O meu desejo é que o Carlo possa ser um encorajamento para muitos jovens a não perderem a esperança, e sobretudo a não perder a relação especial com Deus, colocando Deus em primeiro lugar, como ele fez.

 

O que nos pode dizer do milagre que levará o seu filho aos altares e sobre a data da beatificação?

O milagre diz respeito ao pâncreas deformado de uma criança que esteve em perigo de vida. Após a oração a Carlo, o pâncreas voltou à normalidade sem intervenção cirúrgica, que teria sido muito arriscada para a sobrevivência do pequeno.

A data da beatificação deverá ser na primavera. O papa irá a Assis no final de março para “A economia de Francisco”, pensamos que possa ser pouco depois. Não acreditamos que passe muito tempo, agora aguardamos a decisão da Secretaria de Estado da Santa Sé.


 

Gigliola Alfaro
In SIR
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Carlo Acutis no santuário de Fátima | D.R.
Publicado em 26.02.2020

 

 
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