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Cinema em casa: Cinco sugestões

The post

Com “The post” (2017), Spielberg assina um dos filmes mais belos sobre (bom) jornalismo dos últimos anos, uma história inspirada em factos reais que conduz o espetador aos EUA dos anos 70, mas que continua a ter grande atualidade ainda hoje.

Em 1971, próximo do escândalo Watergate, Katharine Graham (Meryl Streep), primeira mulher à frente do “The Washington Post”, e Bem Bradlee (Tom Hanks), diretor do jornal, estão sob pressão por causa da publicação de documentos reservados do Pentágono que põem em xeque o governo, devido a ações duvidosas e sem escrúpulos realizadas durante a guerra do Vietname. Apesar das intimidações recebidas, ambos decidem dar voz à verdade, e publicam os “Pentagon papers”.

Coadjuvado pela escrita de Liz Hannah e Josh Singer, bem como pelos sempre excelentes intérpretes protagonistas, Spielberg dirige um filme de grande impacto, uma reflexão arguta e profunda sobre a importância do jornalismo livre e responsável para a sociedade. Uma história de compromisso civil, preciosa em tempos tomados pela emergência da “fake news”. A obra presta-se a debates após o visionamento.










O Evangelho segundo Mateus

Um dos olhares cinematográficos mais belos e intensos sobre a cruz: em “O Evangelho segundo Mateus” (1964), Pier Paolo Pasolini oferece uma representação da vida e da morte de Cristo tomando como referência o texto de Mateus, fazendo-lhe emergir a complexidade e os aspetos problemáticos.

O realizador apresenta não uma figura condescendente, como no cinema de Hollywood, mas uma narrativa sobre o Messias privada de adornos, um Jesus pobre entre os pobres. Pasolini opta por um estilo humilde, uma linguagem por vezes anticinematográfica, para se avizinhar respeitosamente do texto evangélico.

Apesar do debate e das polémicas que precederam e acompanharam a exibição do filme, “O Evangelho segundo Mateus” marca um momento importante para a história do cinema, bem como uma ocasião de diálogo entre a Igreja e aqueles que lhe estão distantes. Um filme que parece selar a grande estação de diálogo e reconciliação promovida no espírito do concílio Vaticano II.

«Nobre ilustração do Evangelho, com uma notável adesão ao texto sagrado, em que a figura de Cristo é evocada com sobriedade e sem faltas de gosto. O estilo de clara evidência realista que escapa à iconografia tradicional, a adesão dos atores à interpretação “pasoliniana” do Evangelho e os sugestivos efeitos musicais tornam o filme interessante», assim apontou, em 1964, a comissão de cinema da Igreja católica em Itália.










Você tem uma mensagem

Quem não ficou fascinado pela história de NY152 e Shopgirl? Por trás destes “nicknames” escondem-se Tom Hanks e Meg Ryan na conseguida comédia de Nora Ephron “Você tem uma mensagem” (1988), releitura do trabalho teatral de Miklós László.

No limiar do novo milénio, com as redes sociais ainda por explodir, o filme reflete sobre as relações no tempo da globalização e da comunicação mediadas pela internet. Trata-se de uma comédia sentimental, que aposta no equívoco dos dois protagonistas que se desencontram na vida real, por motivos laborais, e encontram-se, sem o saber, através do computador. Do envelope com selo à internet, os sentimentos são sempre os mesmos.










Corrina, Corrina

Uma ama-seca como Corrina todos a querem! Interpretada com sedução e arrebatamento por Whoopi Goldberg, Corrina (1994), dirigido pela realizadora e argumentista Jessie Nelson, ambienta-se nos EUA entre os anos 50 e 60.

Manny Singer (Ray Liotta) é um músico-publicitário viúvo com uma filha, Molly (Tina Majorino), que se recusa a falar após a morte da mãe. Na sua vida entra uma exuberante ama afro-americana, Corrina Washington, que derruba traumas e barreiras, recordando à família que continua viva e capaz de voltar a abraçar a confiança e despreocupação pelo amanhã.

No filme insere-se também a reflexão sobre as discriminações em relação à população afro-americana, tema sempre quente em Hollywood e nos EUA. No seu conjunto, é uma comédia que evita banalidade e vulgaridade, que se mantém louvavelmente num nível aceitável, distante de deslizes melosos.










Sentimentos que curam

Maya Forbes estreia-se na realização com o drama-comédia sobre a doença “Sentimentos que curam” (2015), com Mark Ruffalo e Zoe Saldana. Boston, anos 70: Cam (Ruffalo) e a sua mulher Maggie (Saldana) estão casados e têm duas filhas; Cam sofre de distúrbio bipolar, que o impede de conduzir uma vida familiar e laboral regular. Quando a mulher é obrigada a transferir-se para Nova Iorque por causa do seu trabalho, Cam é chamado a assumir o seu papel de pai e marido para manter a família unida.

O filme segue um desenvolvimento narrativo simples e envolvente, aflorando em algumas passagens as tonalidades de fábula. Cam luta com as suas fragilidades por amor das pessoas que ama, e isto permite a todos abraçar um horizonte de esperança. A perspetiva do cineasta surpreende pelo entusiasmo e solidez com que se agarra à vontade de contrariar o desencorajamento, de manter o ânimo, de superar as dificuldades graças ao apoio da família.

“Sentimentos que curam” é uma crónica viva de afetos e ternura que se fazem lugar ideal onde a família reencontra motivação e solidariedade. É um filme a partir do qual se pode suscitar o debate.










 

Ufficio Nazionale per le Comunicazione Sociale (Conferência Episcopal Italiana)
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: gnepphoto/Bigstock.com
Publicado em 30.03.2020

 

 
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