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Continuamos «a contar como lucro aquilo que ameaça a nossa própria sobrevivência»

«Continuamos a caminhar sobre velhas estradas porque fomos capturados pela nossa má contabilidade e pela corrupção de interesses adquiridos. Continuamos a considerar e a contar como lucro aquilo que ameaça a nossa própria sobrevivência», afirmou hoje o papa.

Ao receber, no Vaticano os participantes num encontro sobre as alterações climáticas», Francisco, perante uma plateia composta por ministros das Finanças de várias nações e pela presidente da Assembleia Geral da ONU, organizado pela Academia Pontifícia das Ciências, Francisco lamentou que «os lucros e os prejuízos sejam mais considerados do que as vidas e as mortes», e que aos capitais das empresas seja «dada a precedência em relação ao valor infinito da humanidade».

«Estais hoje aqui para refletir sobre como remediar esta profunda crise causada por uma confusão das nossas contas morais com as nossas contas financeiras. Estais aqui para ajudar a deter uma crise que está a conduzir o mundo para o desastre», apontou o papa, menos de 24 horas após o fim das eleições para o Parlamento Europeu, nas quais, em muitos países, se assistiu ao crescimento de partidos empenhados na salvaguarda do ambiente.

Depois de recordar que em 2015 os estados se uniram em torno de dois acordos – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o Clima, em Paris – Francisco afirmou aos líderes financeiros presentes que têm a «responsabilidade» de estimular as ações que visem o cumprimento dos objetivos assinados naqueles protocolos.

«Temos de conseguir aquilo que concordámos, porque a sobrevivência e o bem-estar dependem disto», vincou o papa, para quem «os sinais hoje não são bons»: «Os investimentos em combustíveis fósseis continuam a crescer, apesar de os cientistas nos dizerem que eles devem permanecer no subsolo».



Na máquina calculadora que está nas mãos dos ministros das finanças e dos empresários não devem estar, em primeiro lugar, as contas dos lucros, mas «o cálculo para salvar o mundo da indiferença e da idolatria do dinheiro»



A mensagem que climatologistas e peritos pronunciaram no encontro «foi clara e urgente»: «Temos de agir com decisão para pôr fim às emissões de gases com efeito de estufa até metade do século, o mais tardar, e fazer ainda mais», nomeadamente conseguir a diminuição significativa das concentrações de dióxido de carbono.

Tendo em conta que estes objetivos podem ser conseguidos «a baixo custo, utilizando energia limpa e melhorando a eficiência energética», é necessário que os países trabalhem em conjunto para não se deixarem iludir pelos benefícios a curto prazo de atividades que «estão a destruir o planeta».

Para o efeito, prosseguiu o papa, é importante pôr termo à «dependência global dos combustíveis fósseis», utilizar mais aos «recursos renováveis, como o vento, o sol e a água».

«Sobretudo, que ajamos com prudência e responsabilidade nas nossas economias, para ir realmente ao encontro das necessidades humanas, para promover a dignidade humana, para ajudar os pobres, e para nos libertarmos da idolatria do dinheiro, que cria tantos sofrimentos», assinalou.

Na máquina calculadora que está nas mãos dos ministros das finanças e dos empresários não devem estar, em primeiro lugar, as contas dos lucros, mas «o cálculo para salvar o mundo da indiferença e da idolatria do dinheiro».

«Desejo que, na qualidade de administradores das finanças do mundo, vos ponhais de acordo sobre um plano comum, que esteja em harmonia com a ciência do clima, com a nova engenharia da energia limpa, e sobretudo com a ética da dignidade humana», declarou Francisco.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: Rich Carey/Bigstock.com
Publicado em 27.05.2019

 

 
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