

António Lobo Xavier | 12.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura | Fátima, 4.6.2016 | D.R.Num mundo «em que o capital se desloca rapidamente», não são só os negócios a determinar a sociedade, «mas também elementos de natureza cultural - a liberdade, a ordem, os controles das várias fontes de poder, o respeito pela propriedade, tudo elementos do mundo imaterial», declarou hoje António Lobo Xavier.
A afirmação do Conselheiro de Estado foi proferida na conferência de abertura da 12.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que debate, em Fátima, o tema "Cultura e economia: implicações e desafios".
Referindo-se à expressão do papa Francisco de que «a economia mata», o mestre em Ciências Jurídico-Económicas defendeu que ela «não mata sempre», não sendo certo «que seja mais mortífera» do que outros modelos que atravessaram a história do Ocidente e que ainda se mantêm na atualidade.
«Dizem-se coisas terríveis sobre a economia», afirmou, salientando que «a diferença entre o lado chocante do mundo económico e o lado, em geral, elevado e espiritual do mundo da cultura» está hoje mais presente.
Se é verdade que existem «imensos casos de falta de ética e respeito» no mundo empresarial, há também empresas com valores associados, ainda que «sempre com um objetivo económico» inerente à sua afirmação.
«Passou-se para um modelo de progresso mais inclusivo, onde valores como a empregabilidade e a justiça na distribuição dos rendimentos contam mais, a que se acrescentam os valores do crescimento sustentável, com atenção ao ambiente e às gerações futuras», realçou.
Para António Lobo Xavier, os valores da «frugalidade, insatisfação, verdade, rigor são qualidades especialmente associadas aos grandes objetivos da economia, que são a inovação, o risco, resistência ao fracasso e a tolerância - aos outros e ao erro».
Depois de sustentar que a economia do futuro «vai ser bastante mais dramática do que atual», em parte devido à crescente digitalização, o comentador lembrou que «a economia da cultura e da criatividade tem um peso cada vez mais significativo» em Portugal e na Europa.
O jurisconsulto e administrador de empresas mostrou-se convicto de que «a economia não tem hipótese de se desligar da cultura», dado que «o valor económico é o conhecimento e este não pode desligar-se da cultura».
Rui Jorge Martins
António Lobo Xavier | 12.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura | Fátima, 4.6.2016 | D.R.