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De arquiteta a monja: «Que maneira estranha de dar a vida, tão simples e, todavia, tão total»

De arquiteta a monja trapista. Parece título de romance. Antes, é a história da Ir. Maria Clara Pieri, de 33 anos, que antes do confinamento fez a profissão solene nas trapistas do mosteiro cisterciense de Valserena, em Itália.

Na solene liturgia participaram uma trintena de monjas, grande parte jovens, os pais e a irmã, um grupo da paróquia onde cresceu, guiado pelo pároco (de camionista a padre), e mais de setenta antigos colegas da universidade onde Clara, em 2009, se diplomou em arquitetura-

Logo depois da conclusão dos estudos, encontrou trabalho num gabinete de arquitetos que lhe confiou um projeto encomendado pelo mesmo mosteiro onde há poucos meses professou os votos.

«O meu chefe pediu-me para me encontrar com uma das religiosas da Síria, porque queriam iniciar lá a construção de um mosteiro. Entre os livros da hospedaria, dei-me com a vida da Beata Maria Gabiella di Vitorchiano, que li toda de um fôlego», recorda Maria Clara.

Terminada a leitura, pensa: «“Que maneira estranha de dar a vida, tão simples e, todavia, tão total”. Regressei alguns meses depois, convidada por uma amiga, que conhecia algumas irmãs da comunidade».

«A intuição que tive no encontro com o mosteiro, ao ver a comunidade a rezar na igreja, foi a de uma vida vivida sob o olhar de Alguém que te ama, de uma vida que é toda desejo de lhe agradar», prossegue.

O propósito de tornar-se monja não se impôs de imediato: «A partir daquele momento começou um caminho que, no tempo, me levou a pedir para poder verificar melhor, vivendo um tempo de experiência dentro da clausura».

«Desse período, o que mais me tocou foi a intensidade da minha relação com Cristo, o facto de poder permanecer sempre na sua companhia, de poder regressar sempre a Ele», descreve Maria Clara, que entrou no mosteiro em 2014.

Recebe a fé da família, na paróquia, dos escuteiros, do movimento Comunhão e Libertação, e do «testemunho de muitos que me fizeram intuir a beleza de uma vida doada totalmente a Deus».

«A verdadeira decisão não foi a de me tornar irmã, mas de dar confiança a Deus, que oferecia ao meu coração uma maneira mais profunda de amar. A minha decisão foi a de estar disponível ao facto de Deus me estar a indicar a virgindade como possibilidade de abraçar tudo e todos», assinala.

Um conselho a um jovem que está à procura da sua vocação? «Preocupar-se apenas em estar disponível a tudo, em não calar as urgências do seu coração. Não ter medo de arriscar uma resposta total, que seja para sempre».

«Deus quer dar-te muito mais do que aquilo que imaginas. Abrires-te ao amor que comporta sempre um sacrifício, um sair de si mesmo, um doar-se que não admite cálculos e reservas. É uma dificuldade necessária no seguimento daquilo que de verdadeiro se entreviu. Quem a afasta, no fundo não ama verdadeiramente», aponta.


 

Quinto Cappelli
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Ir. Maria Chiara Pieri | D.R.
Publicado em 03.08.2020

 

 
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