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Dorothy Day: Documentário é o quinto mais vendido na Amazon dos EUA

Dorothy Day (1897-1980), cuja vida foi uma série de aparentes contradições, podia surpreender-se com esta: a versão em DVD de um documentário sobre a sua vida chegou ao quinto lugar das vendas de documentários da Amazon dos EUA, mais de um mês antes de ser exibido na estação televisiva PBS.

É claro que, para chegar ao “top”, as pessoas têm de comprar "Revolution of the heart: The Dorothy Day Story" (“A revolução do coração: A história de Dorothy Day"), significando que têm rendimentos disponíveis para o comprar, o que se contraporia ao abraço à pobreza voluntária que protagonizou como co-fundadora do Movimento de Trabalhadores Católicos (Catholic Worker Movement), que dominou a sua vida por quase meio século.

Martin Doblmeier, realizador do documentário de 57 minutos, está consciente das muitas contradições na vida e no legado de Dorothy Day, depois de ter passado dois anos a editar o filme. O autor considera que Day era uma «católica muito tradicional», ao mesmo tempo que tem de ser qualificada de «radical política e social», o que é uma «combinação perigosa», como, aliás, o FBI veio a avaliar.

Outra “contradição” que o documentário evoca baseia-se numa das suas frases mais conhecidas, «não me chamem santa, não quero ser afastada tão facilmente», e o processo de beatificação em curso.

Doblmeier está consciente de que existem argumentos contra a declaração de santidade, incluindo o aborto e as duas tentativas de suicídio, mas salienta que «o cofre de histórias católicas está cheio de histórias daqueles que foram perdidos, mas depois foram encontrados», como Santo Agostinho e S, Francisco de Assis.



O papa Francisco, quando se dirigiu ao Congresso dos EUA, em setembro de 2015, recordou o «compromisso social, a paixão pela justiça e pela causa dos oprimidos» de Dorothy Day, e colocou-a ao lado de Abraham Lincoln, Martin Luther King e Thomas Merton na galeria dos «grandes americanos»



Há também quem defenda que Dorothy Day, quando estava viva, enfrentou «muita resistência da Igreja», e perante ela experimentou tempos de «tensão», enquanto outros opõem-se à eventual beatificação e canonização porque representaria uma «forma de domesticação» do seu pensamento e legado.

Nascida numa família pobre, Dorothy Day explorou, como jornalista (profissão do pai), ao serviço de um jornal socialista, as periferias degradadas de Nova Iorque, e testemunhou a miséria em que viviam os imigrantes provenientes da Europa. 

Além de escrever, organizou manifestações, lutou por leis mais justas, opôs-se à guerra, viveu histórias de amor difíceis. Durante a Grande Depressão, organizou casas de acolhimento para quem permaneceu desabrigado. Vestia-se com vestuário recebido em beneficência e comia do que o refeitório social oferecia aos mais carenciados.

Em 1927, com trinta anos, converteu-se e entrou na Igreja católica. O papa Francisco, quando se dirigiu ao Congresso dos EUA, em setembro de 2015, recordou o «compromisso social, a paixão pela justiça e pela causa dos oprimidos» de Dorothy Day, e colocou-a ao lado de Abraham Lincoln, Martin Luther King e Thomas Merton na galeria dos «grandes americanos» que «deram forma a valores fundamentais que permanecerão para sempre no espírito do povo».

Autor de 35 documentários, Doblmeier conta com a participação de Susan Sarandon, distinguida com um Óscar para melhor atriz, para dar vida às palavras de Dorothy Day, extraídas, na maioria, da autobiografia “The long loneliness”.

O DVD inclui extras, como os trabalhos com vista ao processo da causa de canonização, entrevistas – incluído a duas das netas de Dorothy Day, hoje pelos 60 anos, ao cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, e ao ator Martin Sheen, que co-protaginizou, em 1997, um filme sobre a vida da ativista.








 

Rui Jorge Martins
Fontes: Catholic News Service, L'Osservatore Romano, Avvenire
Imagem: Capa | D.R.
Publicado em 31.01.2020

 

 

 
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