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Eduardo Lourenço é um «extraordinário detetive metafísico», afirma cardeal Tolentino Mendonça

O cardeal José Tolentino Mendonça considera que Eduardo Lourenço, distinguido hoje pela Igreja católica com o Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes, «é um claríssimo mestre num tempo em que eles escasseiam».

O primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, com quem se iniciou, em 2005, a atribuição do Prémio, declarou que está «muito feliz com a notícia da distinção».

«Eduardo Lourenço ousou pensar Portugal como antes ninguém o tinha feito. E há uma consciência moderna que hoje temos de Portugal como nação, com as suas grandezas, dilemas e misérias, com os seus mitos e traumas, que tem a sua assinatura», observa.

A 16.ª edição da distinção que destaca um percurso ou obra que, além de atingirem elevado nível de conhecimento ou criatividade estética, refletem o humanismo e a experiência cristã, homenageia um «extraordinário detetive metafísico».

«Num dos seus volumes de ensaios mais famosos, ele chama ao filósofo Sören Kierkegaard, “O Espião de Deus”. Seria também uma boa definição para este extraordinário detetive metafísico que Eduardo Lourenço é, pois ele fareja em cada grande obra humana, em cada problema epocal, em cada incontornável pergunta o endereço do absoluto», salienta.

Para o bibliotecário e arquivista da Santa Sé, «Lourenço é extraordinário porque não resolve nunca as coisas facilmente. Não repete o óbvio. Mais do que arrumar uma questão ele quer pensá-la amplamente. De facto, a sua aproximação crítica traça sempre um campo vasto, tanto para a tradição e a história anteriores, como para o que está para diante».

«E esse absoluto, na cultura contemporânea sobre a qual Eduardo Lourenço tem refletido como poucos, não está longe daquilo que ele próprio chama a “insepulta nostalgia de Deus”. Eu diria que ele é um espião dessa saudade de Deus que, em morfologias muito diversas, a cultura não deixa de patentear», conclui.

Eduardo Lourenço e o cardeal Tolentino Mendonça cruzaram-se, entre outras ocasiões, em 2015 no debate “Espírito da Arte/Arte do Espírito”, realizado em Lisboa e organizado pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Eduardo Lourenço | D.R.
Publicado em 03.04.2020 | Atualizado em 08.04.2020

 

 
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