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Ennio Morricone morreu aos 91 anos

O compositor italiano Ennio Morricone, distinguido em 2019 com a medalha de ouro do pontificado, atribuída pelo papa Francisco, e que em 2015 dedicou uma missa ao pontífice, morreu esta noite, numa unidade de saúde em Roma, na sequência de uma queda ocorrida em sua casa, que lhe provocou a rutura do fémur.

Galardoado com dois Óscares - um honorário, em 2007, e, em 2016, pela banda sonora do filme “Os oito odiados”, de Quentin Tarantino, Morricone, de 91 anos, faleceu «com o conforto da fé», refere uma nota enviada à imprensa.

Entre as mais de 500 autorias de bandas sonoras de filmes e produções televisivas que lhe são creditadas, podem destacar-se as músicas para os filmes “A missão”, “Por um punhado de dólares”, “O bom, o mau e o vilão”, “Era uma vez na América” e “Cinema Paraíso”.

O maestro, que trabalhou com a cantora portuguesa Dulce Pontes para o álbum “Focus”, tendo ambos participado num conjunto de concertos realizado em 2017 em várias cidades europeias, «conservou até ao último momento plena lucidez e grande dignidade».










«Despediu-se da sua amada mulher, Maria, que o acompanhou com dedicação em cada instante da sua vida humana e profissional e esteve ao seu lado até ao último respiro, agradeceu aos filhos e netos pelo amor e cuidado que lhe deram, dedicou uma comovida lembrança ao seu público, de cujo afetuoso apoio extraiu sempre a força da sua criatividade», lê-se numa mensagem assinada pelo amigo e advogado Giorgio Assumma.

O presidente da República de Itália, Sergio Mattarella, sublinha que Ennio Morricone foi um artista «genial», «ao mesmo tempo refinado e popular», e o primeiro-ministro , Giuseppe Conte, evoca com «infinito reconhecimento» o «génio artístico» do compositor, que fez o público «sonhar, emocionar, refletir, escrevendo acordes memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema».

«Estou afetuosamente próximo da mulher Maria e da família ao recordar o Maestro Ennio Morricone: confio-o a Deus para que o acolha na harmonia celeste, entregando-lhe, talvez, a tarefa de algumas partituras a fazer executar aos coros angélicos», escreveu esta manhã o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, card. Gianfranco Ravasi, no Twitter.

A última das muitas condecorações recebidas pelo autor de várias peças de inspiração cristã remonta a 5 de junho, quando foi distinguido com o prémio Princesa das Astúrias das Artes, que partilhou com o compositor norte-americano John Williams.

O funeral decorrerá de forma privada, «em respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os atos da sua existência», refere a nota enviada à imprensa.



Imagem Diploma de concessão de medalha de ouro do pontificado de Francisco a Ennio Morricone, assinado pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, card. Gianfranco Ravasi | D.R.







 

Rui Jorge Martins
Fonte: La Repubblica
Imagem: Ennio Morricone | D.R.
Publicado em 06.07.2020 | Atualizado em 09.07.2020

 

 
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