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Francisco, o papa das mulheres

Pela primeira vez, no vasto número de publicações sobre o papa Francisco, um livro indaga a relação entre o primeiro pontífice jesuíta da história e o mundo feminino, com a sua autora a considerar que o pontífice argentino pode ser um grande aliado das causas das mulheres, que em relação a ele nutrem confiança, expetativa e esperança.

Religiosas, leigas, médicas de rua, jornalistas, ex-prostitutas, vítimas da guerra suja na Argentina, mães, chefes de Estado e cantoras líricas: são muitas as mulheres que durante os quase sete anos de pontificado entraram em contacto direto com Bergoglio.

No volume “Francesco – Il papa delle donne”, da jornalista Nina Fabrizio (ed. San Paolo, 208 páginas, 18 €), que é hoje colocado à venda em Itália, descobre-se que a ação do papa, orientada para as periferias e caracterizado pela opção preferencial pelos pobres, também favoreceu o surgimento de um vasto movimento feminino, quer interno, quer paralelo à Igreja e ao Vaticano.

É uma história que remonta à Argentina, quando Bergoglio conseguiu salvar da ditadura militar mulheres e amigas. E logo após a eleição para bispo de Roma, apoia na sua dura batalha Estela Carlotto, líder das “Avós da Praça de Maio”, que conseguiu, também graças à intercessão de Francisco em favor da abertura dos arquivos eclesiásticos argentinos, reencontrar o seu neto, filho arrancado à sua mãe durante as desumanas torturas praticadas pelo regime.



Bergoglio foi o primeiro pontífice a ter denunciado claramente o feminicídio, e o primeiro a favorecer um maior acesso, embora ainda tímido (10%), das mulheres a tarefas de topo na cúria vaticana



Ao mesmo tempo, a pregação e os discursos de Franciscos foram enriquecendo-se de novas mensagens para o mundo feminino, quase como se o papa, que não cessa de lembrar que «a Igreja é mulher», se tivesse colocado em diálogo direto com ele.

Esta interlocução abriu-se também a gestos históricos, como os renovados abraços a ex-prostitutas, vítimas de exploração brutal, quase completamente ignoradas pela opinião pública.

A atenção prestada às mulheres conduziu igualmente o papa a levantar o véu sobre os abusos sexuais e de autoridade que religiosas sofreram na clausura das ordens. O livro dedica um amplo capítulo a este tema, mencionando as tensões dentro no Vaticano e o protagonismo de muitas mulheres para conseguir afirmar no interior da Igreja uma verdadeira consciência sobre os dramas sofridos por demasiadas freiras sem voz.

De acordo com a autora, Francisco foi o primeiro papa a ser entrevistado por jornalistas mulheres, e também o primeiro a ter tantas e francas relações diplomáticas com líderes políticas femininas, o primeiro a ter escutado diretamente de ativistas dos direitos dos povos indígenas a sua voz, reservando-lhes a ribalta diante da plateia de vaticanistas acreditados durante o recente sínodo sobre a Amazónia.

Bergoglio foi também o primeiro pontífice a ter denunciado claramente o feminicídio, e o primeiro a favorecer um maior acesso, embora ainda tímido (10%), das mulheres a tarefas de topo na cúria vaticana.

Foi no seu pontificado, quase como que um sinal dos tempos, que no Vaticano foi organizada por algumas colaboradoras uma associação de mulheres, semelhante a muitas outras em crescimento nas sociedades civis de muitos países.


 

In ANSA
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Capa | D.R.
Publicado em 21.02.2020

 

 

 
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