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Hoje começa o Jubileu pela Terra

«O cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade de viver juntos e de comunhão. Jesus lembrou-nos que temos Deus como nosso Pai comum e que isto nos torna irmãos.» Relançando este sábado a “hashtag” #LaudatoSi5 com um “tweet” na conta @Pontifex, o papa ratificou a sua adesão ao “Ano especial” dedicado à encíclica «sobre o cuidado da casa comum», que se abre hoje, 24 de maio, no quinto aniversário da assinatura do documento.

Organizado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, este tempo jubilar concluir-se-á no mesmo dia de 2021, como uma cerimónia de premiação de diversas categorias de pessoas comprometidas em projetos de ação individual e comunitária com vista a promover boas práticas.

Introduzido pela «Semana “Laudato si’”», celebrada de 16 a 24 de maio – durante a qual o papa “twitou” a cada dia um pensamento para a reflexão sobre o tema –, o Ano especial é concebido como um momento de graça, um tempo de Jubileu para a Terra, para a humanidade e para todas as criaturas de Deus. E a primeira da preenchida agenda de iniciativas fixadas para apelar à urgência da «conversão ecológica» será o dia de «oração comum» pelo planeta e pela humanidade marcado para este domingo.

A urgência da situação requer respostas imediatas, holísticas e unificadas a todos os níveis – local, regional, nacional, internacional –, sobretudo através de um “movimento popular”, uma aliança entre todas as pessoas de boa vontade que, como recorda o papa Francisco no número 14 da encíclica, colaborem como instrumentos de Deus pelo cuidado da criação, cada qual com a sua cultura e experiência, as suas capacidades.

O quinto aniversário do texto chega em pleno momento marcado pela pandemia do coronavírus, que manifestou o quão profundamente a humanidade está interligada e interdependente. A mensagem da “Laudato si’” pode fornecer a bússola moral e espiritual na viagem para a re-criação de um mundo mais atento, fraterno, pacífico e sustentável; uma oportunidade única para transformar o atual lamento e angústia num novo modo de viver juntos para os seres humanos, unidos no amor, compaixão e solidariedade, e numa relação mais harmoniosa com a natureza.



A nível individual recomenda-se a adoção de estilos de vida simples: sobriedade no uso dos recursos e da energia, evitar os plásticos para um só uso, adotar uma dieta mais vegetal e reduzir os consumos de carne, maior utilização dos transportes públicos



Ao chamar a atenção para o estado cada vez mais precário do ambiente, o documento assinado pelo papa em 2015 revelou-se profético. Até porque neste quinquénio múltiplas «brechas do planeta que habitamos» – para usar as palavras da encíclica (163) – ampliaram-se: das calotes glaciares que se derreteram no Ártico, aos furiosos incêndios que devastam a Amazónia, mas também a Austrália; das condições meteorológicas extremas em todas as latitudes a níveis sem precedentes de perda da biodiversidade. Tudo sinal de danos demasiado evidentes para serem ignorados.

É preciso, por isso, uma resposta concreta às interrogações colocadas pelo papa Francisco sobre que tipo de mundo deixar às gerações futuras. É um imperativo moral sobretudo em relação às populações mais pobres, primeiras vítimas da atual degradação, a cujo grito desesperado já não é possível ficar indiferente.

O departamento de Ecologia do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral pretende que este Ano especial proponha um compromisso público comum em favor da «sustentabilidade total», a realizar num arco temporal mais longo – sete anos –, envolvendo famílias, dioceses, escolas, universidades, hospitais e estruturas de saúde, mundo dos negócios e rural, ordens religiosas.

O Dicastério deseja, em particular, uma maior utilização de energia renovável limpa e uma redução dos combustíveis fósseis; maior acesso à água potável para quem não a tem; defesa de todas as formas de vida na Terra; atenção aos grupos vulneráveis, como as comunidades indígenas, migrantes, e crianças em risco de escravidão; produção sustentável; comércio justo e solidário; consumos e investimentos éticos.

A nível individual recomenda-se a adoção de estilos de vida simples: sobriedade no uso dos recursos e da energia, evitar os plásticos de um só uso, adotar uma dieta mais vegetal e reduzir os consumos de carne, maior utilização dos transportes públicos em relação àqueles que mais poluem.



Faz com que possamos ajudar cada pessoa a assegurar o alimento e os recursos de que precisa. Torna-te presente aos necessitados nestes tempos difíceis, especialmente os mais pobres e os mais vulneráveis. Transforma os nossos medos e os sentimentos de isolamento em esperança e fraternidade, para podermos experimentar uma verdadeira conversão do coração



O Dicastério propõe indicações também no campo educativo e formativo, sugerindo linhas de orientação para uma espiritualidade ecológica que parta da recuperação de uma visão religiosa da criação de Deus, passando através do encorajamento ao contacto com o mundo natural numa atitude de maravilhamento, louvor, alegria e gratidão, a exprimir-se com celebrações litúrgicas, e desenvolvendo catequeses, orações e retiros sobre o tema da salvaguarda ambiental.

 

Oração comum pelo quinto aniversário da “Laudato si’”

Deus amoroso,
Criador do Céu, da Terra e de todo aquilo que contêm.
Criaste-nos à tua imagem e tornaste-nos guardiães de toda a tua criação.
Abençoaste-nos com o sol, a água e a terra, tão generosos,
para que todos possamos ser nutridos.

Abre as nossas mentes e toca os nossos corações,
para que possamos ser parte da criação, teu dom.
Ajuda-nos a sermos conscientes de que a nossa casa comum não pertence só a nós,
mas a todas as criaturas e às gerações futuras,
e que é nossa responsabilidade preservá-la.

Faz com que possamos ajudar cada pessoa a assegurar
o alimento e os recursos de que precisa.
Torna-te presente aos necessitados nestes tempos difíceis,
especialmente os mais pobres e os mais vulneráveis.
Transforma os nossos medos e os sentimentos de isolamento
em esperança e fraternidade,
para podermos experimentar uma verdadeira conversão do coração.

Ajuda-nos a mostrar solidariedade criativa
ao enfrentar as consequências desta pandemia global.
Torna-nos corajosos no abraçar as mudanças que se dirigem à procura do bem comum.
Agora mais do que nunca,
que nos possamos sentir sermos todos interligados e interdependentes.

Faz com que consigamos escutar e responder ao grito da Terra e ao grito dos pobres.
Que os sofrimentos atuais possam ser as dores de parto de um mundo mais fraterno e sustentável.

Sob o olhar amoroso de Maria Auxiliadora [24 de maio],
a ti oramos por Cristo, Nosso Senhor.

Ámen.

 




 

In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: plahotya/Bigstock.com
Publicado em 24.05.2020

 

 

 
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