Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Projeto: Igreja de Santa Clara

A paróquia da Exaltação da Santa Cruz, na cidade de Ubatuba, diocese de Caraguatuba, a 178 km de S. Paulo, nasceu no século XVIII, e a sua igreja matriz foi construída na centúria seguinte. Desde 1954 a paróquia é administrada pela Ordem dos Frades Menores Conventuais. Uma das suas cinco comunidades denomina-se Santa Clara de Assis.

O bairro Sesmaria, onde se localiza a comunidade, é composto por uma população com condições de vida muito humildes. Depois de ter estudado as alternativas, decidiu que a melhor maneira de construir a sua igreja seria realizar uma estrutura com troncos de eucalipto.

No interior dos estados de Santa Catarina e do Paraná, sul do Brasil, nas regiões com população de origem ucraniana e polaca, há uma importante concentração de arquitetura em madeira, na qual de destaca a igreja de Mallet e de Itaiópolis. Nenhuma delas, porém, foi construída com troncos.



Imagem Igreja de Santa Clara | © Eduardo Faust


Fiz uma pesquisa em algumas igrejas no mundo, tendo apenas encontrado estruturas em bambu, que, no entanto, têm outra conceção. Apesar de a técnica dos troncos ser muito usada no Brasil, tendo uma excelente relação custo-benefício, não é utilizada nas igrejas, para as quais são escolhidas, com muita frequência, estruturas em bambu.

A ideia de base é respeitar a cultura do sagrado do século XVII, considerando a arquitetura romana e renascentista contemporâneas, como o Modernismo e a Art Deco.

Os elementos da planta para esta igreja são a nave central, as naves laterais, e um presbitério inserido na abside com um deambulatório sobre o qual se assomam as capelas de Nossa Senhora e de Santa Clara, laterais à capela do Santíssimo Sacramento.



Imagem Igreja de Santa Clara | © Eduardo Faust


O presbitério, ao centro, com um banco único, faz referência aos presbíteros das primeiríssimas igrejas cristãs, nas quais o banco contínuo era o prosseguimento do assento central reservado ao presidente.

O projeto estrutural é uma reinterpretação do esquema tradicional da basílica, com a nave central mais alta do que as laterais, e com o sistema de arcos e colunas, e a luz proveniente do alto.

No clima tropical, a maior parte dos dias são quentes e os ventos são fortes; podem, por isso, ser explorados como alternativa válida para o arrefecimento, especialmente durante a estação das chuvas.



Imagem Igreja de Santa Clara | © Eduardo Faust


Neste caso, o lucernário é tanto fonte de luz como meio para ventilar o ambiente. Uma saliência protege-o do sol e da chuva, podendo ser aberto, de maneira a favorecer a saída do ar quente do interior da igreja. O mesmo acontece com o nártex, colocado ao longo de todo o lado longo da igreja, isolando as aberturas e os interiores das condições atmosféricas. Além disso, o nártex protege o padre do sol forte durante as celebrações.

Outro elemento retomado das basílicas romanas é a cúpula hemisférica da abside; a delicada estrutura curva do teto está à vista, mostrando o esqueleto da semicúpula ogival.

«Durante um assalto à cidade de Assis, as irmãs acorreram a Santa Clara, que estava de cama, doente. Ela toma o cibório ebúrneo que continha a Sagrada Eucaristia, e leva-a para a entrada do claustro central; depois de ter interrogado o Senhor, pareceu-lhe ouvir uma voz: “Vigiar-vos-ei e protegerei sempre”.



Imagem Igreja de Santa Clara | © Eduardo Faust


A cruz, em forma de ostensório, referindo-se ao milagre de Santa Clara, junta-se a outras duas, representando as três cruzes dos princípios franciscanos: pobreza, obediência, castidade.

Na juventude, Francisco, em crise espiritual, entra na pequena igreja de S. Damião, e prostra-se diante da cruz. A imagem de Cristo fala-lhe: «Francisco, vai e repara a minha igreja, que, como vês, está em ruínas».

No seu milagre, S. Francisco manifesta feridas em forma de Tau. «Com isso ele sela as cartas e marca as paredes da pequena cela». As alfaias litúrgicas foram projetadas seguindo a forma da letra Tau, do alfabeto grego.


 

Texto e imagem de topo: Eduardo Faust
In Thema
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 15.07.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos