«Igreja, sê terra de reconciliação»: Apelo ecuménico do Irmão Roger, fundador da comunidade de Taizé
Dois apelos deixados pelo Irmão Roger (1915-2005), fundador da comunidade ecuménica de Taizé. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos começa este sábado, 18 de janeiro, e prolonga-se até ao dia 25.
«- Igreja, torna-te naquilo que és, no mais profundo de ti mesma: terra dos vivos, terra de reconciliação, terra de simplicidade.
- Igreja, "terra dos vivos", responde à nossa espera.
Abre as portas da esperança: ela brilhará como um sol de verão. Abre bem as portas da confiança: ela vencerá a dúvida, a desconfiança e a vergonha de existir.
Escancara as portas da alegria e a oração comunitária será celebração de uma festa sem fim. (...)
- Igreja, sê terra de reconciliação.
Não deixarás mais, nunca mais, Cristo dilacerado, jazendo à beira da estrada.
Então a divisão dos cristãos, em diferentes confissões, já não será tolerável. (...) A reconciliação visível entre os cristãos já não admite adiamento. Reconciliar-se, não para ser mais fortes contra quem quer que seja, mas essencialmente para ser fermento de paz e de confiança entre todas as nações do mundo. (...)
- Igreja, sê terra de simplicidade.
É preciso tão pouco para acolher. Os meios muito simples revigoram uma comunhão. Os meios fortes assustam e dilaceram a universalidade do apelo de Cristo... Se, mais do que nunca, organismos e administrações da Igreja deixassem o seu ministério ser transfigurado pelo fogo irreprimível de um coração pastoral...
Longe de acumular, ousa partilhar. A Fé, a confiança em Deus, pressupõe correr riscos. (...)
- Igreja, sê terra de partilha para seres também terra de paz.»
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«Nesta comunhão única que é a Igreja, oposições antigas ou recentes dilaceram Cristo, no seu Corpo.
A luminosa vocação ecuménica é e será sempre realizar uma reconciliação sem demora.
Segundo o Evangelho, a reconciliação não espera: "Se fores apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta e vai primeiro reconciliar-te com ele."
"Vai primeiro!" e não "deixa para mais tarde!"
O ecumenismo alimenta esperanças ilusórias, quando deixa a reconciliação para mais tarde. Imobiliza-se e encerra-se em si mesmo quando deixa que se criem caminhos paralelos nos quais se esgotam as forças vivas do perdão.
Mas onde encontrar o ardor de um amor que reconcilia? Onde? (...) A reconciliação é uma Primavera do coração. Sim, reconciliar-se sem demora, leva a esta descoberta: o nosso próprio coração transforma-se.»

Irmão Roger Schutz
In Carta das Catacumbas (1983), Les sources de Taizé - Dieu nous veut heureux
18.01.14
Irmao Roger








