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Inauguração de restauro de órgão do séc. XIX em Braga

Inauguração de restauro de órgão do séc. XIX em Braga

Imagem D.R.

No próximo dia 4 de outubro realiza-se, na igreja de S. Paulo do Seminário Conciliar de Braga, situada no Largo de S. Paulo, às 21h30, o concerto inaugural do órgão de coro construído por Manuel de Sá Couto, que foi recentemente restaurado por Giovanni Pradella Bottega Organara, da Itália. Sietze De Vries, da Holanda, é o organista convidado. A entrada é livre.

No Quaderno do recibo, e despeza da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte do Collejo, 1817-1836, aparece o valor pago a Manuel de Sá Couto: «Despendi com Manuel de Sá Couto, do Orgão novo 150$000». Este por sua vez declara, num fólio que se encontra no livro de Receita e despeza da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, 1829-1839, no respeitante à Despeza que fez a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte de 15 d’Agosto de 1830 para o de 1831, a entrega da dita quantia: «Declaro em verdade que ressevi da mão do tizoureiro da Irmandade de N. Senhora da Boa Morte da cidade de Braga a coantia de sento e sincoenta mil reis em metal por que ajustei o Rialejo que fiz para a dita Irmandade, e por estar pago e satisfeito lhe passo este para sua clareza e abaixo asginado. Braga 30 de junho de 1832. Manoel de Sá Couto.»

Este órgão foi pago com dinheiro que, em parte, resultou da venda de metade de outro órgão de coro, construído em 1784. Depois de um litígio, sobre a propriedade deste, entre as Irmandades de Nossa Senhora da Torre e de Nossa Senhora da Boa Morte, ambas da igreja do Colégio, às quais fora oferecido no ano de 1800, surge a encomenda do novo órgão a Manuel de Sá Couto.

Na decisão da encomenda ao organeiro de Lagoncinha, conforme se pode ler no termo de mesa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, de 21 de julho de 1831, colocaram-se dois critérios para a sua construção: «o órgão se faça com toda a economia e ao mesmo tempo por ser bem feito». E para não suceder-lhe o que estava a acontecer com o outro, que era alugado para muitas igrejas do centro histórico de Braga, inclusive para a Sé, no termo de 24 de julho de 1832, ao dar notícia da sua chegada, tomam-se medidas para acautelar o seu uso fora da igreja do Colégio: «foi igualmente lembrado, que tendo chegado o Orgão novo, que ficou à satisfação da Meza, e mais propôs a defesa, para se não destruir, era justo se não alugasse, nem emprestasse para fora da Igreja deste Collejo, sem aprovação, e decisão de huã junta desta Irmandade, a qual se convocará, quando as circunstâncias o permitissem.» Esta precaução e cuidados acrescidos fizeram com que o órgão se conservasse numa extraordinária integridade durante os 185 anos da sua existência.



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Sietze De Vries

Sietze De Vries, que vem da Holanda, tem-se afirmado como concertista e organista litúrgico de renome internacional. Estudou com Wim van Beek (Órgão), Jos van der Kooy (Órgão e Improvisação) e Jan Jongepier (Improvisação), obtendo o Diploma Superior de Órgão e o Diploma Holandês de Profissional de Música Sacra com especialização em Improvisação. Conquistou 15 primeiros prémios em concursos de Órgão nacionais e internacionais, alguns deles ainda enquanto estudante nos Conservatórios de Groningen e Haia. Destes destaca-se o 1.º Prémio do Concurso Internacional de Improvisação de Haarlem - 2002, onde já tinha sido finalista nas duas edições anteriores.

Sietze exerce uma carreira muito intensa como concertista, tocando frequentemente por toda a Europa, bem como nos Estados Unidos, Canadá, Rússia, África do Sul e Austrália. É ainda muito requisitado para lecionar Improvisação, sendo Professor no Conservatório de Groningen, Professor convidado na Southern University in Collegedale TN (USA), na McGill Summer Organ Academy in Montreal (Canadá) e no Sydney Conservatory Organ Academy (Australia). Em setembro de 2017 foi nomeado organista da Wijkgemeente Martinikerk em Groningen.

Para além de concertista e professor de órgão, Sietze de Vries é frequentemente convidado para liderar visitas internacionais a órgãos históricos, realizar conferências, masterclasses e elaborar programas acerca do órgão para crianças. Publica regularmente artigos em revistas internacionais relacionados com a música sacra, improvisação e organaria, é ainda editor de artigos para a revista holandesa ‘Het Orgel’.



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Órgão Manuel de Sá Couto

O programa será composto por improvisações, com variações sobre alguns cânticos, e prática alternada, interpretadas pelo organista Sietze De Vries e pela Schola Cantorum do Seminário.

Antes do Natal será publicado um livro, que se encontra já em revisão de provas, no qual se dará conta de todo o processo deste restauro filológico: apresentação das características do órgão e respetivo estado de conservação; fundamentos da decisão para o seu restauro e conservação; filosofia de intervenção, critérios de restauro e trabalhos realizados; edição e estudo de toda a documentação escrita encontrada no seu interior, que é uma fonte de enriquecimento em relação à vida do organeiro Manuel de Sá Couto e a outros órgãos por ele construídos; e, na parte final, o estudo dos órgãos positivos das Irmandades de Nossa Senhora da Torre e Nossa Senhora da Boa Morte, do Colégio de S. Paulo, o de 1784 e o de 1832 agora restaurado, respetivamente, ambos na posse do Seminário Conciliar de Braga.



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