

Prémio Árvore da Vida
Título: P'ra que vivam
Realizador: Carlos Lima
Duração: 0h24
Ano: 2026
Declaração do Júri
«O Júri decidiu atribuir o Prémio Árvore da Vida ao filme “P'ra que vivam”, da autoria de Carlos Lima, pela forma excecional como associa o que poderia ser apenas um documento de memória coletiva com a narração da aventura espiritual do ser humano, através da preservação de uma tradição cultural integrada numa vivência comunitária, onde emerge uma poética que se abre a um imaginário espiritual.
Do ponto de vista formal, trata-se de uma montagem orgânica e coerente, onde o ato de esculpir o boneco falante remete para o espetáculo que virá ou o bater dos talheres nos pratos à mesa ecoa o ritmo da música ao som da qual serão manipuladas as marionetas.
A iluminação valoriza as atividades quotidianas, sabendo manifestar realidades muito mais profundas, em especial, o trabalho humano, a ponto de se tornar expressão da vontade de contemplar e compreender a vida e de narrar a sua grandeza e fragilidade.
Os planos apresentam uma dimensão pictural consistente, que traduzem um equilíbrio entre o silêncio e a palavra, e nos relacionam intimamente com estas famílias de manipuladores de gerações que compõe uma arte que ajuda o espetador a voltar-se para si mesmo, e a contemplar com novos olhos a complexidade da própria experiência.
Os movimentos delicados de câmara levam-nos dos rostos concentrados e olhares expressivos às mãos que trabalham dançando. Uma experiência total que se move de quem concebe e executa, a quem vê o espetáculo: o envolvimento de toda a comunidade.
A representação de "O Auto da Criação do Mundo", inspirado nos primeiros capítulos da Bíblia, valoriza também o trabalho humano como cooperação do criado com o Criador na continuação da obra da Criação.
Na escuridão e no silêncio, o olhar volta a ficar atento, o coração deixa-se alcançar, e a mente abre-se para o que ainda não tinha imaginado. O filme interpela, desperta as perguntas que nos habitam, mostra-se como uma obra coral onde ninguém se basta a si mesmo, suscitando a necessidade de encontro com o outro. Surpreende.»
Júri
Isabel Maria Alçada Cardoso
Júlio Martin da Fonseca
Maria Pacheco de Amorim