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Jornada de Teologia Prática: 10.ª edição vai ser sobre «o apelo do essencial»

Nota: Os encontros foram adiados devido ao Covid-19.

Começa hoje o prazo para as inscrições na 10.ª Jornada de Teologia Prática, centrada no tema “O apelo do essencial”, que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica vai organizar a 23 e 24 de março, em Braga, e no dia 27, em Lisboa.

«Lugar privilegiado de encontro entre diferentes saberes, sob o horizonte da indagação teológico-prática, somos desafiados pelo “apelo do essencial”. Depois de todas as crises – das instituições, da religião, das identidades, da economia, do clima –, quando tudo parece desfazer-se, o apelo do essencial ganha uma particular urgência», assinala o texto de apresentação da iniciativa

“Uma Igreja pobre, para os pobres”, é o tema do primeiro painel da sessão dupla marcada para Braga, na Universidade Católica, às 21h10, com José Nunes e João Alberto Sousa Correia.

«A recuperação da figura do “pobre” para o centro da construção da identidade eclesial é, certamente, um emblema do pontificado de Francisco. O cristianismo é pensado, de novo, como um movimento para as periferias humanas. Nesse movimento de diáspora, as Igrejas encontram a autenticidade do impulso evangélico, dando corpo à opção amorosa do Deus de Jesus Cristo», refere a nota de enquadramento das intervenções.



«Falar da casa é evocar uma ética do cuidado, essa responsabilidade que torna os lugares habitáveis. Mesmo quando se trata da “casa da igreja”. Assim, o trânsito para a periferia é também um regresso a casa. O que pode ser esta casa? Como podemos habitá-la?»



Uma hora mais tarde, Carlos Morais e João Eleutério debatem “O elogio da ascese”, «vitória sobre a condição de vulnerabilidade e a morte» e «exercício espiritual, uma forma de apropriação simbólica de si e do mundo».

«Homens e mulheres em diversas tradições religiosas, ou em diversos contextos de atividade espiritual e corporal, vivem tempos e lugares de renúncia. Alguns são especialistas na ascese, transportando permanentemente as marcas dessa luta com o limiar da morte. Noutros casos, a ascese é uma prática propedêutica, um treino em ordem a uma meta, um para-além do lugar em que me encontro. Nega-se este lugar, para alcançar um outro, vencendo o tempo, o espaço, as inércias e a gravidade do corpo.»

A 24 de março, o encontro inicia-se, às 21h00, com o painel “Regressar à palavra”, no qual Alex Villas Boas e Cátia Tuna: «Reconhecendo que na Palavra somos salvos, como poderia o cristianismo alienar-se deste elogio da palavra?»

«As palavras refazem o mundo e permitem a narração, a memória das experiências vividas. A forte iconização da nossa comunicação faz-nos esquecer que a palavra continua no centro dos quotidianos, construindo sentidos para a experiência humana – da aventura da grande narrativa literária à pequena narrativa das culturas urbanas, a palavra ilumina os silêncios e dá corpo às esperas», aponta a contextualização do debate.

“Regressar a casa”, com José Manuel Pereira de Almeida, vice-reitor da Universidade Católica, e Joaquim Féliz de Carvalho, é o tema do painel marcado para as 22h00, no qual se falará da encíclica “Laudato si’” e da expressão «casa comum», metáfora que «tem um amplo lastro nas narrativas evangélicas: a casa que se abre à salvação, a casa dividida pelo apelo do Reino de Deus, ou a casa incompleta do pai, que aguarda o regresso do filho».



«Nas narrativas evangélicas o tempo da crise é, também, o tempo oportuno. A crise inscreve no tempo linear do calendário a possibilidade de uma transformação – permite que a ocasião se torne oportunidade. Em muitas narrativas evangélicas o tempo oportuno é o momento dos encontros inesperados, das mudanças de rota, das palavras em contramão»



«Em Paulo, a casa cristã está numa situação de dissidência face à cidade, não para fugir dela, mas para a transformar a partir do seu interior. Falar da casa é evocar uma ética do cuidado, essa responsabilidade que torna os lugares habitáveis. Mesmo quando se trata da “casa da igreja”. Assim, o trânsito para a periferia é também um regresso a casa. O que pode ser esta casa? Como podemos habitá-la?»

Em Lisboa, o colóquio abre às 10h00 com a entrevista ao compositor e musicólogo Ivan Moody, sobre “A música na demanda do essencial”, moderada pelo também compositor Alfredo Teixeira, cocoordenador da Jornada, juntamente com João Eleutério e Luís M. Figueiredo Rodrigues.

Pelas 10h45 inicia-se o painel “Uma Igreja pobre, para os pobres”, que à semelhança da sessão de Braga contará com José Nunes, acompanhado pelo arquiteto João Alves da Cunha, seguindo-se, às 12h00, debate, comum ao programa de Braga, “O elogio da ascese”, com João Eleutério e José Lima (Plano Nacional de Ética para o Desporto).

A conferência “O tempo oportuno – o evangelho da crise”, com D. António Couto, biblista e bispo de Lamego, inaugural os trabalhos da tarde, às 14h00.

«Nas narrativas evangélicas o tempo da crise é, também, o tempo oportuno. A crise inscreve no tempo linear do calendário a possibilidade de uma transformação – permite que a ocasião se torne oportunidade. Em muitas narrativas evangélicas o tempo oportuno é o momento dos encontros inesperados, das mudanças de rota, das palavras em contramão. É tempo da vida a irromper», acena a introdução.

“Regressar à palavra”, com Alex Villas Boas e Cátia Tuna”, é o tema do painel das 15h00, e às 16h15 Maria Luísa Ribeiro Ferreira e José Manuel Pereira de Almeida protagonizam-se o debate “Regressar a casa”, ambos comuns à Jornada em Braga.

Na “cidade dos arcebispos” o encontro é encerrado por João Duque, presidente do Centro Regional de Braga, e em Lisboa por Ana Jorge, diretora da Faculdade de Teologia.


 

Rui Jorge Martins
Imagem: Universidade Católica
Publicado em 02.03.2020 | Atualizado em 11.03.2020

 

 

 
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