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Rumo ao amor, dia 22: José

A humanidade esperava há séculos algo de novo, mas depois, como bem sabemos, a paz nunca se espalha pela vida como chuva gentil. Ao contrário, explodem todas as piores formas de violência e de ódio: «Herodes fez matar todos os meninos…»; de recusa: «Não havia lugar para eles na hospedaria»; de preguiça: «Ide vós, e depois dizei-me».

O mundo divide-se no momento da redenção, assim como acontece dentro de cada uma das nossas mudanças, fazendo emergir estas subtis mas fortes ruturas entre Caim e Abel, vida e morte, amor e ódio, e nós ali no meio, a ter de escolher, para além dos opostos, estar do lado da esperança.

José é o homem que, dentro das contradições, se colocou do lado da esperança, e que, sonho após sonho, torna-se atento àquilo que, de dia, é irracional.

Como homem justo e reto, José não devia, segundo a lei, amar uma mulher que ainda antes da boda está grávida de outro; mas por destino, o seu coração contradiz o intelecto. No conflito entre amor e razão, entre amor e justiça, opta por ficar do lado do amor.

Eis a sabedoria do criativo carpinteiro: intuir que é possível acreditar no seu coração, escutar profundamente dentro de nós a tal ponto que a certeza de um sentimento não ilícito surge-nos muito mais convincente do que tudo aquilo quanto nos é apresentado do exterior.

A este homem passam os dias, os meses, os anos, e não se verá mais nada. Morrerá de uma morte comum, e levará consigo, para além da morte, o segredo da sua missão. Deverá simplesmente defender, proteger e guardar aquele filho e a sua esposa Maria. Quando a missão de Jesus começa, a missão de José termina, para recordar-nos que, quando o sonho é grande e a vida é autêntica, não é necessário ver-lhe o cumprimento.

Como Deus joga connosco! Surpreende-nos quando menos o esperamos. A plenitude dos tempos coincide com o nascimento de Jesus, mas ao mesmo tempo coincide com o momento mais baixo e mais humilde da sua descendência, do rei David ao carpinteiro José.

Também nós na busca da plenitude do nosso tempo, dos nossos anos, dos nossos sentimentos, dos nossos verdadeiros desejos, muitas vezes preparamos o caminho e lançamos sementes sem lhes ver os resultados.

É José que dá o nome ao Menino, é José que o salva da raiva de Herodes e salvá-lo-á precisamente no Egito, a terra da escravidão.

José era enamorado de Maria. À história inicial de amor de José e Maria é confiado um amor que extravasará.

Nada nos faz mais medo do que uma vida libertada da angústia, aberta e colocada na vastidão do espaço sem compreender o porquê de um início e de um fim. Mas como acontece para José, a vida alcança o seu cumprimento vivendo intensamente o sonho de cada dia. Uma vida que se torna uma simples gota de mel num dia de sol.


Imagem "Descanso na fuga para o Egito" | Noël Hallé | 1755-60 | D.R.

 

Luigi Verdi
In La realtà sa di pane, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: "Descanso na fuga para o Egito" (det.) | Noël Hallé
Publicado em 18.03.2020

 

 
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