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Espiritualidade, arte, teologia, cultura: Museu Maria Regina Mundi

Um espaço de devoção dedicado a Maria, Mãe de Jesus. A sua localização, abençoada pela natureza, permite o coroamento da serra da Piedade, juntamente ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, próximo de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais. Assim, dois espaços sagrados passam a residir o topo da serra, um a leste, outro a oeste.

A estratégia é evidenciar a geologia definidora do lugar. As antigas edificações militares são demolidas, e a limpeza renovada do terreno é mantida por edificações que se encaixam impercetivelmente na montanha. As lajes amoldam-se, transformando-se em taludes, como um manto que recebe cobertura vegetal da região. A escavação é mínima, somente para nivelamento geral do terreno e ancoragem do edifício à topografia existente. Os limites desses edifícios são dissolvidos por meio de uma geometria que remete para as angulações das rochas locais, e por meio de taludes suaves associados à vegetação de campos de altitude. A perceção é de um edifício invisível, misteriosamente incrustado nas rochas.



Imagem © Gustavo Penna Arquiteto e Associados

Imagem © Gustavo Penna Arquiteto e Associados


Trabalhando no campo da metáfora, escolhemos a representação inconteste do divino: a Aura de pureza. Um anel metálico de 20m de diâmetro passa a pousar sobre a montanha de ferro, transformando-a em véu e manto de Maria. Simbolicamente, a maternidade divina liga-se à mãe natureza, ao mundo natural, humano.

Este elemento circular é uma moldura sobre a paisagem, direcionando o olhar do visitante para o céu e as cidades em volta. O percurso que parte desde o santuário, ao chegar à receção do museu, vê a áurea à distância. Ao aproximar-se, encontra ao seu redor um espaço intocável, protegido, remetendo para o sagrado e convidando à reflexão. O transeunte é conduzido até um silêncio e ali mergulha no interior do museu, através de um átrio circular aonde rampa e escada conduzem aos espaços expositivos.



Imagem © Gustavo Penna Arquiteto e Associados

Imagem © Gustavo Penna Arquiteto e Associados


Ao tocar o nível térreo, o visitante é conduzido para o percurso expositivo, onde imerge na história de Maria e as suas manifestações ao redor do mundo.

Após este percurso, o visitante depara-se com um grande espaço aberto, localizado a leste. É como se passasse por um processo de nascimento, após o mergulho na caverna expositiva.

Descortina-se então uma praça elíptica aberta, abraçada pelo manto relvado, sobre a qual se eleva o anel metálico que representa a aura. Este é, ao mesmo tempo, espaço gregário e espaço de silêncio e contemplação. Oferece um mirante limpo e pode acolher desde uma missa campal até apresentações musicais.


Imagem © Gustavo Penna Arquiteto e Associados








A capela é um recôndito sagrado, localizado em local mais reservado. Assim como a gruta de um eremita, ela é um espaço de contemplação aberto à natureza, à atuação do tempo e das intempéries. É uma varanda coberta em vidro com proteção ultravioleta, um cristal entre as pedras, um espaço de culto cujos bancos parecem brotar do piso de lajotas em pedra.

Após passar pelos espaços, o visitante prossegue a visita, sendo conduzido até a área do café e da loja. Dali é conduzido para um último olhar através da aura, e tem, então, a sua visita concluída.


 

In Gustavo Penna Arquiteto e Associados
Imagem de topo: Gustavo Penna Arquiteto e Associados
Publicado em 27.05.2020

 

 
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