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De Lasso e Palestrina até Poulenc e Rutter, no disco intitulado "Mater ora filium", Graham Ross e o coro do Clare College de Cambridge pesquisaram mais de 500 anos de música para construir um programa inteiramente dedicado à Epifania.
Trata-se de 20 quadros sonoros inspirados nas narrativas do nascimento de Jesus, da Sagrada Família e da visita dos magos para celebrar a revelação ao mundo do Salvador na sua simultânea grandeza e humildade de Deus feito homem.
O trecho mais antigo desta seleção é "Nesciens mater", do francês Jean Mouton (c. 1459-1522), exemplar compêndio de geometria contrapontística, cuja engenhosa estrutura de cânone a oito vozes se declina numa extraordinária variedade de soluções tímbricas e de tessitura vocal.
No século XVI destaca-se também o antigo texto do trecho "Illuminare, Jerusalem", extraído de um manuscrito escocês anónimo vertido para música por Judith Weir com uma breve e fascinante adaptação "a cappella".
Na variedade e na heterogeneidade da proposta brilham pela beleza, originalidade e resultado interpretativo obras-primas renascentistas como "Tribus miraculis ornatum", de Giovanni Pierluigi da Palestrina (c. 1525-94), "Omnes de Saba", de Orlando di Lasso (c. 1530-94) e "Ecce advenit dominator Dominus", di William Byrd (c. 1540-1623).
Ao sugestivo "Videntes stellam", de Francis Poulenc (1899-1963), com o seu refrão cristalino sustentado por vozes agudas, faz de contrabalanço o quente e aveludado tapete harmónco que envolve "I wonder as I wander", célebre canto aqui proposto numa tocante transcrição de John Rutter (n. 1945).
O disco termina com o trecho para duplo coro "Mater ora filium", do compositor inglês Arnold Bax (1883-1953): mais de 10 minutos entre saltos de oitavas e complexos episódios polifónicos em oito partes que colocam em primeiro plano a excelente qualidade técnica dos cantores do Clare College.