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«Nunca falei apenas para os crentes»

«Escolher um bispo ou um cardeal para figura do ano pode ser um sinal da época que vivemos; e da necessidade de encontrar novas vozes, novos pontos de interesse, novas temáticas, e nesse sentido não me espantei. É um sinal que a nossa época está muito desperta para o encontro com outros horizontes.»

Foi nestes termos que o cardeal Tolentino Mendonça reagiu esta segunda-feira à escolha da redação do semanário “Expresso”, onde colabora, para figura do ano de 2019, depois de em junho ter sido considerado, pelos mesmos jornalistas, uma das figuras mais marcantes nos 12 meses anteriores.

«Sem dúvida que um jornal como o “Expresso” é um lugar de debate, e é um grande espaço aberto, em que cada voz é mais uma voz, cada ideia é uma ideia. E esse entrecruzar de pensamento livre é para mim algo muito estimulante e todo o meu percurso tem sido dar grande atenção a esse debate», afirmou o arquivista e bibliotecário da Santa Sé.

O poeta, ensaísta e teólogo, com especialização na Bíblia, foi recebido na sede do jornal e da estação televisiva SIC, em Paço de Arcos (Oeiras), pelo presidente e fundador Francisco Pinto Balsemão, pelo CEO, Francisco Pedro Balsemão, e pelo diretor do semanário, João Vieira Pereira.



«Uma redação é um instrumento humano, uma espécie de telescópio, de instrumento técnico de procura da verdade, de procura de chegar ao coração do homem. É uma coisa maior do que os seus componentes»



«Nunca falei apenas para os crentes. Penso que a religião é um tema humano. E que sendo vivido religiosamente na cerca do religioso, ganha quando é abordado numa linguagem que todos os possam entender, e que possam ter alguma coisa a dizer. A mim, o que o não crente tem a dizer sobre Deus e sobre a religião interessa-me imenso» declarou o primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Para o cardeal Tolentino, a mensagem religiosa tem «uma componente intelectual importante», porque «a razão é um componente da própria fé», que «não vive sem essa dimensão da racionalidade, da reflexão, do pensamento, da filosofia».

Esta dimensão da fé manifesta a sua capacidade de «estabelecer o debate religioso, de se situar a partir de um trabalho intelectual, que passa pela escrita e pela literatura, do mundo universitário».

Questionado sobre a abertura da documentação relativa ao papa Pio XII, no Arquivo Apostólico do Vaticano, salienta que a sua preocupação «é manter a qualidade do serviço» prestado à comunidade científica, e que a instituição esteja apta para «responder a tudo o que as pessoas precisam e esperam de uma maneira célere e qualificada».

Na redação do semanário que assinalou 47 anos precisamente na segunda-feira, 6 de janeiro, D. Tolentino Mendonça sentiu «a força tangível da procura, do desejo de comunicação, de chegar aos outros, mas de uma procura que não é apenas pela notícia que se vai concretizar, ou pelo texto que se vai escrever».

«Uma redação é um instrumento humano, uma espécie de telescópio, de instrumento técnico de procura da verdade, de procura de chegar ao coração do homem. É uma coisa maior do que os seus componentes. No fundo, o que é que são os membros de uma redação? São grandes narradores de pequenas histórias, mas também da grande história. A frase que me veio ao pensamento quando olhei para a redação foi: “Eles estão a escrever a História”», destacou.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Expresso
Imagem: Card. Tolentino Mendonça grava a próxima crónica no "Expresso" | Tiago Miranda/Expresso | D.R.
Publicado em 07.01.2020

 

 
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