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«O meu altar torna-se a cama do doente»: Padre médico regressa ao hospital

Amanhã, quarta-feira, o P. Alberto Debbi regressará aos corredores do hospital de Sassuolo, em Itália, para prestar o seu serviço de médico na especialidade de Pneumologia, centro Covid-19, por enquanto até ao fim de abril. A casula dará temporariamente lugar à bata de médico, para ajudar na cura de pessoas contagiadas pelo coronovírus.

Antes de entrar no seminário, o pároco de Correggio, com 44 anos, completados há cinco dias, estudou medicina em Modena, concluiu o curso em 2001 e inscreveu-se na Ordem dos Médicos no ano seguinte, para depois se especializar em doenças do aparelho respiratório.

Depois de ter trabalhado em das instituições médicas, chegou ao departamento de Pneumologia em Sassuolo, onde permanecer durante quase sete anos, e para onde decidiu voltar a fim de enfrentar esta emergência de saúde.

«O turbilhão de emoções, nesta hora, é grande, e não escondo que tenho uma certa preocupação para voltar a ter na mão uma profissão que não pratico há vários anos. Mas confio que posso servir de ajuda, uma vez eliminado aquele estado de enferrujamento que, por força das coisas, se formou», assinalou.

Ordenado padre em 2018, foi nomeado para vigário da unidade pastoral de Correggio, e foi aos seus fiéis que explicou a sua decisão com uma mensagem através da internet: «Peço-vos uma oração por mim, porque a partir de quarta-feira recomeçarei o meu ofício de médico».

«Penso que neste período difícil e de sofrimento esta é também uma maneira para colocar-se à disposição com todos os conhecimentos que temos. Ser médico é uma parte de mim que ainda estava viva, e agora, mais do que nunca, impele-me a doar-me», escreveu.

Depois de agradecer ao bispo diocesano e ao pároco a possibilidade de enveredar por esta missão, sublinha que mesmo estando «um pouco mais distante», continuará disponível por telemóvel e outros meios.

«Continuarei a orar e a celebrar a missa por todos vós. Agora, como me disse uma amiga, o meu altar torna-se a cama do doente. Um abraço a todos! Coragem!», assinalou.

Na edição de hoje, o jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", relata igualmente o caso do P. Fabio Stevanazzi, de 48 anos, sacerdote da paróquia de San Cristoforo, igualmente em Itália, que voltará a vestir novamente a bata branca, depois de ter sido médico internista durante mais de dez anos.

Depois de ordenado padre, o atual arcebispo de Milão pediu-lhe para colaborar com a organização Medici con l’Africa Cuamm, através da qual, nos meses de verão de 2018 e 2019, foi enviado para hospitais na Etiópia e Tanzânia.

Em Itália morreram até agora 11 padres devido à pandemia, havendo outros membros do clero infetados e em recuperação, revelou hoje a agência Vatican News.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Avvenire, Gazzetta di Reggio
Imagem: P. Alberto Debbi | D.R.
Publicado em 17.03.2020

 

 
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