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Leitura: “O meu coração”, amor feito prática

Como faz o coração humano para aprender a distanciar-se de si, a não se considerar só a si mesmo e a abrir-se aos outros? Como aprende um coração a ser um coração? Porque um coração pode ser pequeno ou grande, pode ser semelhante a uma janela aberta para o mundo ou uma poça suja na qual se vê o próprio reflexo; um coração pode unir na sua fragilidade ou separar, com a sua grande força, nos momentos em que só a solidão é necessária;  um coração pode quebrar-se em mil pedaços, que depois – sozinho ou com a ajuda de outros – é possível tornar a juntar. Nos momentos de euforia, plácida serenidade, ou também na dor, o coração – síntese da capacidade humana de partilhar, compreender e compadecer – é o nosso guia no mundo.

Trata-se de um caminho que acompanha cada um de nós na descoberta da própria humanidade, uma peregrinação acidentada e vital para o amor e para a aceitação de si que Corinna Luyken propõe aos leitores mais pequenos em “O meu coração”, pequena joia editada em Portugal pela Fábula em outubro de 2019 (40 páginas, 12,99€).

“O meu coração” é um delicado poema ilustrado, pelo texto lírico e pelas imagens extraordinárias, um silabário da inteligência emocional, uma ode à capacidade de amar que existe em cada um de nós e, sobretudo, ao amor entendido como prática fáctica, mais do que como estado.

O coração declina-se em todas as cenas da vida diária da criança: a cozinha de casa, o escorrega no parque, o quarto de dormir, o caminho que se faz todos os dias, a natureza citadina, os pais e os amigos. Nas suas páginas encontram-se a surpresa, a alegria pura, a despreocupação, mas também a escuridão, a dor, a dificuldade. Porque este coração, diz a autora, precisa de enfrentar, viver e compreender aquilo que acontece na vida.

Corinna Luyken, multipremiada artista e ilustradora, nasceu e vive nos EUA, com o marido, a filha e dois gatos. Assinou “O livro dos erros” (2018), disponível em Portugal pela mesma editora, obra que conquistou várias distinções.

A poesia das palavras e imagens permite ao livro dar o verdadeiro salto de qualidade. Mérito, provavelmente, também da técnica utilizada: as ilustrações foram criadas com um processo de incisão denominado monotipo, usando tintas à base de água e lápis.

O resultado é um estilo que não é tanto afirmativo, mas evocativo. As cores são o preto, o cinzento, o branco e o amarelo, capazes de criar um efeito poético e delicadíssimo. Pouquíssimas cores para ilustrar uma ode forte, porque mais do que narrar, o que este livro faz é sugerir. Um caminho, um olhar, o amor.


Imagem "O meu coração" | D.R.

Imagem "O meu coração" | D.R.

Imagem "O meu coração" | D.R.

Imagem "O meu coração" | D.R.

Imagem "O meu coração" | D.R.

Imagem "O meu coração" | D.R.

 

Silvia Gusmano
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Capa | D.R.
Publicado em 21.02.2020

 

 

 
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