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Exposição: “O Santo que batizou Cristo. Cenas da vida de S. João Batista”

Houve um tempo, na segunda metade do século XVIII, em que a célebre Galleria degli Uffizi (Galeria dos Ofícios) só abriam um dia por ano: na festa de S. João Batista, padroeiro da cidade de Florença, onde a instituição se localiza. Com efeito, a data de 24 de junho «é para a cidade uma festa religiosa, mas também cívica e política», sublinha o diretor, Eike Schmidt.

A poucas semanas da reabertura ao público, após o confinamento, o museu dedica ao “Precursor” uma mostra virtual. Trata-se «não só de uma homenagem ao padroeiro citadino, mas também de uma maneira para festejar com todos, em Florença e no mundo, um dia de tão grande significado», assinala o responsável.

A exposição, intitulada “O Santo que batizou Cristo. Cenas da vida de S. João Batista”, apresenta uma seleção de quinze obras, expressões artísticas entre os séculos XIV e XX, entre as quais se destacam obras de Leonardo da Vinci, Rafael e Veronese, havendo também espaço para a arte oriental, com um ícone russo.

 

Introdução
Galleria degli Uffizi

“Profeta”, “luz ardente”, “amigo do esposo”, “arauto do juízo”, “precursor”: estes os títulos com que a narrativa evangélica qualifica a figura de João dito o Batista. É o santo ao qual, mais do que qualquer outro, a arte ocidental reservou atenção e espaço, desenvolvendo de século em século, segundo as necessidades litúrgicas, as passagens da sua biografia.

No percurso que se segue, propõe-se uma viagem pelas coleções das Gallerie degli Uffizi com o objetivo de fornecer ao visitante um viático para compreender a enorme fortuna visual que o precursor recolhe desde a Idade Média até ao século XX.



Imagem "S. João Batista anjo do deserto" (det.) | Rússia central | C. 1725-1740 | D.R.

Imagem "S. João Batista no deserto" (det.) | Rafael Sanzio | 1517-18 | D.R.

Imagem "S. João Batista no deserto" | Rafael Sanzio | 1517-18 | D.R.

Imagem "S. João Batista e histórias da sua vida" (det.) | João del Biondo | C. 1365-70 | D.R.

Imagem "S. João Batista e histórias da sua vida" (det.) | João del Biondo | C. 1365-70 | D.R.

Imagem "S. João Batista e histórias da sua vida" | João del Biondo | C. 1365-70 | D.R.


Homem de personalidade impetuosa, carismática e ao mesmo tempo áspera e intransigente. João Batista constitui o elo de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a antiga tradição judaica e a mensagem revolucionária de Jesus, num momento histórico em que as regiões do Médio Oriente eram invadidas por agitações, inquietações sociais, da expetativa fervorosa pela renovação dos costumes e das consciências a que aludiam os antigos profetas.

O cristianismo atribui ao Batista uma posição de ator secundário, junto de Cristo e da Mãe, entrevista por pontuais testemunhos evangélicos relativos ao seu nascimento de estirpe sacerdotal, à vida caracterizada primeiro pelo eremitério e depois pela pregação, e da morte ocorrida por decapitação às ordens de Herodes Antipas.



Imagem "S. João Batista" (det.) | Dosso Dossi | 1518-1520 | D.R.

Imagem "S. João Batista" | Dosso Dossi | 1518-1520 | D.R.

Imagem "Nascimento de S. João Batista" (det.) | Pontormo | 1526-27 | D.R.

Imagem "Nascimento de S. João Batista" | Pontormo | 1526-27 | D.R.

Imagem "Adoração do Menino Jesus com os Santos João Batista e Bernardo" (det.) | Filippo Lippi | C. 1463 | D.R.

Imagem "Adoração do Menino Jesus com os Santos João Batista e Bernardo" | Filippo Lippi | C. 1463 | D.R.


É uma narrativa calibrada, na qual domina o momento do Batismo, rito de origens antiquíssimas e de valor purificatório e simbólico. É o ministério mais importante concedido por João, que por isso é dito “o Batista, isto é, o ‘Batizador’”, que encontra codificação num cânone iconográfico que permanece substancialmente inalterado ao longo dos séculos, centrado no gesto da infusão da água, o momento vaticinador que assinala a verdadeira passagem de testemunho entre os dois protagonistas.

Serão as fontes hagiográficas seguintes, desde os primeiros séculos cristãos e, aos poucos, da alta Idade Média em diante, a guarnecer a biografia joanina de novos episódios, preenchendo os espaços deixados vazios pelos evangelistas, com narrações de fantasia, como a infância precocemente tocada pela consciência da sua missão, a busca da solidão e o encontro com o sobrenatural, ou desenvolvendo além dos limites do ditado evangélico a relação com Jesus.



Imagem "Sagrada Família com S. João Batista menino" (det.) | Agnolo Bronzino | 1540-45 | D.R.

Imagem "Sagrada Família com S. João Batista menino" | Agnolo Bronzino | 1540-45 | D.R

Imagem "Pregação do Batista" | Alessandro Allori | 1604 | D.R.

Imagem "Batismo de Cristo" (det.) | Andrea del Verrocchio, Leonardo da Vinci e colaboradores | C. 1470-1475 | D.R.

Imagem "Batismo de Cristo" | Andrea del Verrocchio, Leonardo da Vinci e colaboradores | C. 1470-1475 | D.R.

Imagem "Batismo de Cristo" | Veronese | C. 1580 | D.R.


É sobre esta rica seara de episódios, mas também por efeito da extraordinária difusão de relíquias consideradas autênticas, que se funda o desenvolvimento de uma iconografia que se adapta progressivamente aos contextos arquitetónicos e decorativos das igrejas, bem como às exigências do culto e às interpretações doutrinais.

Daqui nasce uma ininterrupta cadeia de efígies, por vezes mais simbólicas – como no caso das “Deesis” ortodoxas e bizantinas, do S. João Batista Anjo, ou nos impressionantes “pratos” com a cabeça do Batista –, e noutros casos mais elaboradas com fins didáticos, como no episódio da “Pregação às multidões”.



Imagem "A decapitação de S. João Batista" | Lucas Cranach o Velho | C. 1513 | D.R.

Imagem "Salomé" | Alonso Berruguete | 1515 | D.R

Imagem "Salomé recebe a cabeça do Batista" | Bernardino Luini | C. 1525 | D.R.

Imagem "Cabeça do Batista numa bacia" | Vincenzo Consani | 1842 | D.R.

Imagem "S. João menino no deserto" (det.) | Mario Bacchelli | C. 1930 | D.R.

Imagem "S. João menino no deserto" | Mario Bacchelli | C. 1930 | D.R.

 

In Vatican News, Le Gallerie degli Uffizzi
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem de topo: "S. João menino no deserto" (det.) | Mario Bacchelli | C. 1930 | D.R.
Publicado em 24.06.2020

 

 

 
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