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Rumo ao amor, dia 18: O tempo

Quanto tempo passei a tentar prender aquilo que não tem tempo. Quantas vezes acreditei que a dor, o mal-estar, o conflito se superariam com o tempo. Só quando parei de depender do tempo como meio, e vivi o hoje e o momento, o tempo abraçou o espaço, e deixei de me lamentar dizendo: «Enfado-me… tenho pouco tempo». Quantas vezes me enganei confiando-me ao tempo como meio através do qual podia conquistar a felicidade ou compreender a verdade ou conhecer Deus.

Só depois compreendi que é a verdade que nos torna livres, não o esforço ou a busca de uma maneira para sermos livres. Perguntava-me porque é que qualquer coisa em que eu tocasse se transformava num problema, e intuía que a minha ótica estava sempre limitada a um só ponto de vista, onde o tempo e o espaço se fechavam, em vez de seguir aquele meu desejo oculto de abertura e liberdade.

Nós pensamos sempre a partir de um centro e movemo-nos em direção à periferia, mas para muitos outros a periferia é o centro. Por isso, aproximamo-nos das coisas de maneira superficial, ao passo que a vida não é superficial, e exige que se viva de uma maneira inteira.

Após uma série de crises de egocêntrica espera, sucedeu uma crise de humilde verdade, que me fez olhar o efémero a partir do infinito, e desde então o efémero deixou de ser uma prisão.

Desde esse dia, rezo assim:

O meu tempo sou eu.
Eu que vivi e que vivo
e que desejo viver ainda mais um pouco,
eu com tudo aquilo que compreendo e não compreendo,
com tudo aquilo que sei fazer e que não sei fazer,
com as minhas qualidades boas e menos boas.
O meu tempo sou eu
com o meu grande desejo:
amar Deus com todo o coração, a alma e as forças
e o meu próximo como a mim mesmo.
Mas o meu tempo sou também eu
com o abismo de mediocridade e absurdidade que transporto em mim.
Eis-me, Deus, tal como Tu me conheces bem,
estou nas tuas mãos.
Essas mãos que Tu estendeste, dizendo
«vinde a mim, vós todos afadigados e oprimidos»,
essas mãos que curaram os doentes,
que abençoaram as crianças,
que partiram o pão para cinquenta mil,
que abraçaram a pecadora e o publicano.
Estas são as tuas mãos nas quais está o meu tempo.


 

Luigi Verdi
In La realtà sa di pane, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Torianime/Bigstock.com
Publicado em 14.03.2020 | Atualizado em 16.03.2020

 

 
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