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Rumo ao amor, dia 20: Oração e silêncio

Deus é um gemido, é um beijo, e a oração é a respiração da alma.

Um momento de oração solitária pode ter uma influência que nada pode substituir.

Não se consegue rezar se tivermos um rancor ou um ressentimento, porque a oração é uma expressão do amor que precisa da atenção do coração.

É preciso consagrar pelo menos um quarto de hora à nossa alma a cada manhã e a cada noite, porque cada esforço que realizamos em nós repercute-se não só à nossa volta, mas longe, longe. Um ato de amor e uma oração têm a força de reger o mundo e de tornar-se o leme da história e da nossa vida.

Gosto de uma oração breve e simples onde cada gesto corresponde a um verdadeiro sentir. Toda a oração requer, portanto, atenção, preparação, escolha do lugar, do momento, criatividade, sem a necessidade de procurar resultados. Na oração não são precisas muitas palavras, porque o amor não precisa de palavras.

A primeira fadiga da oração é a desordem da mente e da vida que fazemos. Se nunca inicias um caminho espiritual e de oração, também não te darás conta da desordem que tens dentro de ti, vives de impressões, de leituras, de rumores, de coisas em vórtice contínuo, de fantasias e imaginações. A luta contra a desordem da mente é o início do abandonar-se a Deus.

A verdadeira condição para encontrar Deus é um coração simples, desarmado, vazio, que não quer colocar Deus à prova e não procura raciocínios tortuosos.



O facto de, instintivamente, termos medo deste face a face, indica quanto é precioso realizá-lo. Mas é um passo necessário para reencontrar o gosto do caminho, o gosto do novo



Podemos transfigurar o nosso pequeno mundo transfigurando-nos a nós próprios; por isso, a cada acordar recito o louvor da manhã, muito breve mas muito importante para retomar o caminho para o novo dia, voltando a começar com a experiência de um Deus que manifesta a sua ternura. Um Deus que, ainda que por vezes nos parece desaparecer, devemos continuar a buscar, dado que com frequência se oculta para fazer crescer o desejo e para purificar a nossa procura e não o fazer confundir com os ídolos.

O caminhar na vida pressupõe estar parado, faz-se estrada se se é capaz de parar, chega-se ao destino se se tem a coragem de perder tempo. Num mundo como o nosso, em que predomina o falar, é preciso aprender a calar, a fazer silêncio no íntimo, um silêncio atento à escuta e humilde.

Deus desarma-se, por que não haveremos nós de o fazer também?

Temos o dever de impedir que a nossa vida se extinga por causa de uma atividade sem alma, e por isso procurar para nós um espaço de deserto, um lugar de verdade, onde se está a sós e não se pode fazer trapaça, onde te dás conta daquilo que verdadeiramente vales. O facto de, instintivamente, termos medo deste face a face, indica quanto é precioso realizá-lo. Mas é um passo necessário para reencontrar o gosto do caminho, o gosto do novo, do abandono, do compromisso, dos pés cansados, do coração que bate, do fôlego que falta, numa realidade sem pontos de referência.

Como é bela a pobreza inútil do silêncio e da oração, este desperdício amável, este espaço de perfume, de casa aberta ao mundo!


 

Luigi Verdi
In La realtà sa di pane, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Andres Conema/Bigstock.com
Publicado em 16.03.2020

 

 
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