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Papa apela a proximidade aos idosos que vivem na «solidão» e no «medo», e fala sobre o «70x7» do perdão

«Gostaria que hoje rezássemos pelos idosos, que sofrem este momento de modo especial, com uma solidão interna muito grande, por vezes com muito medo», pediu hoje o papa nas primeiras palavras que proferiu durante a introdução à missa a presidiu esta manhã, no Vaticano.

Francisco orou para que as pessoas se aproximem dos seus avôs e avós, de «todos os idosos», e que lhes «deem força»: «Eles deram-nos a sabedoria, a vida, a história; que também nós estejamos próximos deles com a oração».

Na homilia, o papa meditou sobre o Evangelho proclamado nas missas desta terça-feira (Mateus 18,21-35, cf. Umbrais), no qual Jesus apresenta a parábola de um homem a quem o seu credor perdoa uma grande dívida, mas é incapaz de ter a mesma atitude com quem lhe deve uma quantia substancialmente menor, para sublinhar que, à imagem de como Deus age, o perdão entre seres humanos deve ser ilimitado («setenta vezes sete»).

«Não é fácil perdoar, porque o nosso coração egoísta está sempre preso ao ódio, às vinganças, aos rancores. Todos vimos famílias destruídas pelo ódio familiar, que passa de uma geração para outra. Irmãos que diante do féretro de um dos pais não se saúdam, porque levam por diante velhos rancores», observou.

Mesmo quando estão em causa «coisas pequenas», «parece que é mais forte o prender-se ao ódio do que ao amor», prosseguiu o papa, que assinalou: «Este é precisamente o “tesouro”, digamos assim, do diabo, oculta-se sempre entre os nossos rancores, os nossos ódios, fá-los crescer, mantém-nos, para nos destruir».



«Quando formos confessar-nos, para receber o sacramento da Reconciliação, perguntemo-nos primeiro: eu perdoo? Se eu sinto que não perdoo, não vou fingir que perdoo, porque não serei perdoado»



Há «gente que vive a condenar gente, a falar mal das pessoas, a conspurcar continuamente os seus companheiros de trabalho, os vizinhos, os parentes, porque não perdoa uma coisa que lhe tenham feito, ou uma coisa que não lhe agradou».

Atitude oposta é a de Deus, que «não veio para condenar, mas para perdoar», que «é capaz de fazer festa por um pecador que se aproxima, e esquece tudo», «perde a memória da história má de cada pecador».

«[Deus] só pede que faças o mesmo, perdoar», recusando-te a «levar por diante a cruz não fecunda do ódio e do rancor, do "vais pagar-mas"»; por isso, «se quando vais à missa te recordas de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, reconcilia-te primeiro».

A «generosidade» de Jesus, com efeito, poderia dizer: «Não venhas até mim com o amor por mim numa mão, e o ódio pelo irmão na outra»; antes, afirma a tua «coerência de amor», que sabe «perdoar de coração», porque «o perdão é condição para entrar no Céu».

«Quando formos confessar-nos, para receber o sacramento da Reconciliação, perguntemo-nos primeiro: eu perdoo? Se eu sinto que não perdoo, não vou fingir que perdoo, porque não serei perdoado», apontou Francisco, acrescentando: «Pedir o perdão significa perdoar. Estão os dois juntos. Não podem separar-se».

A parábola dá a entender que Deus não terá compaixão por aqueles que, tendo recebido o seu perdão, o recusam a outros: «O Senhor nos ajude a compreender isto, e a baixar a cabeça, a não sermos soberbos, a sermos magnânimos no perdão. Ao menos, perdoar por interesse; como assim? Sim, perdoar, porque se não perdoar, não serei perdoado. Pelo menos isto. Mas sempre o perdão», concluiu.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Vatican News
Imagem: Papa Francisco | & copy; Vatican News
Publicado em 17.03.2020

 

 
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