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Papa Francisco pede cristãos sem «cara de vinagre»

O papa pede aos cristãos que resistam à tentação da «sensação de derrota» antecipada quanto aos frutos da sua missão evangelizadora, que lhes «sufoca o fervor e a ousadia», além de os transformar em «pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre».

«Quem começa sem confiança, perdeu de antemão metade da batalha e enterra os seus talentos», frisa Francisco na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”, publicada esta terça-feira.

Na secção dedicada às «tentações dos evangelizadores», Francisco constata que o cansaço e a desmotivação dos católicos «não está sempre no excesso de atividades, mas sobretudo nas atividades mal vividas, sem as motivações adequadas, sem uma espiritualidade que impregne a ação e a torne desejável».

«A ânsia contemporânea de chegar a resultados imediatos faz com que os agentes pastorais não tolerem facilmente tudo o que signifique alguma contradição, um aparente fracasso, uma crítica, uma cruz», aponta o papa.

A «maior ameaça» aos cristãos «é o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede dentro da normalidade, mas na realidade a fé vai-se deteriorando e degenerando na mesquinhez».

Como consequência, «desenvolve-se a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu».

«Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar‑se a uma tristeza melada, sem esperança, que se apodera do coração como “o mais precioso elixir do demónio”.

Ao deixarem-se arrastar para estado espiritual, os cristãos, «chamados para iluminar e comunicar vida, acabam por se deixar cativar por coisas que só geram escuridão e cansaço interior e corroem o dinamismo apostólico».

Para Francisco, os «males» do mundo e da Igreja «não deveriam servir como desculpa» para reduzir a «entrega» e o «ardor», mas como «desafios para crescer», sem nunca perder de vista a «alegria» inerente à evangelização.

 

Nota: Tradução não oficial.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 27.11.13

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